Senado dos Estados Unidos desafia Trump e vota contra tarifaço imposto ao Brasil
Em meio à disputa comercial com a China, o gesto do Congresso americano repercute no Brasil e coincide com a volta de Lula ao país após viagem à Ásia
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Em votação simbólica, o Senado norte-americano aprovou, por 52 votos a 48, uma resolução que visa anular as tarifas de importação impostas pelo presidente Donald Trump contra o Brasil.
Cinco senadores republicanos (do mesmo partido de Trump) votaram com os democratas pelo fim do embargo econômico.
A medida questiona a legalidade utilizada pelo governo dos EUA — a declaração de emergência nacional em julho, tendo como justificativa a prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro — para impor sobretaxas de 40% contra produtos brasileiros.
Apesar da aprovação no Senado, a proposta segue para a Câmara dos Representantes, onde é pouco provável que avance. No mais, para de fato entrar em vigor, seria necessária sanção presidencial.
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Para o governo brasileiro, o gesto parlamentar norte-americano representa um “efeito simbólico” e abre nova janela de diálogo.
Encontro Trump-Xi impulsiona expectativas
Simultaneamente, os olhares do mundo se voltam ao esperado encontro entre Donald Trump e o presidente chinês Xi Jinping, agendado para 30 de outubro, durante a cúpula da Ásia-Pacific Economic Cooperation (APEC), em Busan, Coreia do Sul.
A reunião tem como pano de fundo a intensa disputa comercial entre os dois países, com tarifas que podem atingir 100% sobre exportações chinesas, controles de exportação de terras raras pela China, preocupações com semicondutores e cadeias de suprimento estratégicas.
Trump declarou acreditar que ambos chegarão a “um acordo fantástico” com a China.
No contexto desse “admirável mundo novo”, o Brasil aparece como coadjuvante, porém com potencial impacto comercial e ambiental, especialmente no campo do agronegócio, das commodities e da transição energética — em compasso de espera das decisões norte-americanas sobre tarifas, tratados agrícolas e novos alinhamentos estratégicos de Washington que incluem o continente latino-americano.
Rio em chamas, Boulos e STF
Em Brasília, após uma semana de viagem à Ásia, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva empossa nesta quarta-feira (29) o deputado federal Guilherme Boulos (PSOL-SP) como novo ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República.
Boulos assume no lugar de Márcio Macêdo, que deixa a pasta após quase três anos para eventual candidatura a deputado federal por Sergipe.
A escolha de Boulos indica desejo de maior interlocução com movimentos sociais, estudantis, jovens e reforço das áreas de comunicação nas redes sociais e de articulação nas negociações com o Congresso.
A nomeação faz parte de uma reconfiguração política no governo Lula, que simultaneamente faz arranjos de bastidor para convencer o Senado e acenos aos evangélicos sobre a indicação do ministro da Advocacia-Geral da União, Jorge Messias, ao Supremo Tribunal Federal (STF), e ainda busca tempo para dar alguma tração à emperrada pauta fiscal.
Para completar, Lula teria se irritado com a fala do governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro, que disparou contra o governo federal, dizendo que o governo central não havia atendido a pedidos de ajuda para operações policiais em locais dominados por facções criminosas — como a de ontem, onde pelo menos 64 pessoas já morreram.
O ministro da Segurança Pública, Ricardo Lewandowski, rebateu as afirmações e, em seguida, aprovou a transferência de pelo menos dez presos ligados a facções criminosas de prisões estaduais para presídios federais.
Ministros do governo seguem para a capital fluminense, onde têm reunião, ainda nesta quarta, com autoridades do governo do estado.