PF prende dono do Banco Master em operação que investiga crimes financeiros
Segundo a Polícia Federal, Daniel Vorcaro se preparava para deixar o Brasil, quando foi preso na manhã desta terça-feira (18)
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A Polícia Federal prendeu, na manhã desta terça-feira (18), o banqueiro Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, no âmbito da Operação Compliance Zero, que investiga suspeitas de crimes financeiros relacionados à venda da instituição para o BRB (Banco de Brasília).
O presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, também foi afastado do cargo.
A prisão de Vorcaro ocorreu poucas horas depois de o Banco Master anunciar sua venda ao Grupo Fictor.
No entanto, o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do Master, o que torna a instituição inativa a partir de agora e inviabiliza a concretização da transação com o grupo comprador.
Segundo o Globo, a investigação aponta que a cúpula do Banco Master, junto com a do BRB, “fabricaram” pelo menos 20 títulos de créditos que nunca existiram para justificar a transferência de R$ 12,2 bilhões do banco estatal de Brasília para o Master, entre janeiro e maio de 2025.
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A decisão judicial que embasou a prisão faz parte de um amplo conjunto de medidas: foram expedidos cinco mandados de prisão preventiva, dois de prisão temporária e 25 ordens de busca e apreensão em endereços de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Bahia e Distrito Federal.
Suposta fraude
As investigações apontam que o Banco Master teria emitido e comercializado “títulos de crédito falsos” — ativos que, segundo a PF, teriam sido vendidos a outras instituições financeiras sem lastro real.
Após fiscalização do Banco Central, esses títulos teriam sido substituídos por outros sem avaliação técnica adequada.
Entre os crimes investigados estão gestão fraudulenta, gestão temerária e organização criminosa.
Tentativa de fuga e liquidação
Na véspera da prisão, Vorcaro teria tentado deixar o país em um jatinho particular, partindo do Aeroporto de Guarulhos. A PF identificou o movimento, antecipou a operação e prendeu o banqueiro horas depois.
Paralelamente, o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do Banco Master e de sua corretora de câmbio. A decisão ocorre menos de um dia após o anúncio de interesse de compra pelo Grupo Fictor e, na prática, inviabiliza qualquer continuidade do negócio.
Contexto
A compra do Master pelo BRB havia sido anunciada anteriormente, mas gerava controvérsias no mercado. O modelo de negócio da instituição de Vorcaro era considerado arriscado, por operar com ativos de liquidez duvidosa — como precatórios, direitos creditórios e empresas em dificuldades.
Investigadores suspeitam que a falsificação de carteiras de crédito poderia ter sido usada para tornar o banco artificialmente mais atrativo a compradores, compondo uma estrutura irregular.
Impactos no agronegócio
Produtores rurais costumam investir em CDBs como forma de diversificação de renda. Caso parte desses títulos estivesse ligada ao Banco Master, há forte preocupação para quem possui aplicações acima de R$ 250 mil — limite garantido pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC).
Assim, um produtor com R$ 1 milhão aplicado pode enfrentar um prejuízo potencial de R$ 750 mil.
Outro ponto sensível é o crédito rural: bancos de menor porte, como o Master, frequentemente financiam pequenas e médias empresas do campo. A liquidação pode reduzir a oferta de crédito e encarecer empréstimos no curto prazo.
A prisão de Daniel Vorcaro e a liquidação do Banco Master encerram um ciclo de crescimento acelerado da instituição — que multiplicou por dez seu porte em quatro anos, com um modelo agressivo e considerado arriscado.
Para o agronegócio, o episódio acende um alerta sobre a exposição a riscos financeiros fora da porteira, especialmente diante de ofertas de retorno elevado e de instituições com modelos pouco convencionais de operação.