Texto da COP30 ignora combustíveis fósseis e gera reação de cientistas
Especialistas apontam que a omissão compromete avanços nas negociações climáticas e contraria evidências científicas globais
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Cientistas de instituições brasileiras e internacionais reagiram com preocupação ao texto mais recente das negociações da 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30), divulgado na sexta-feira (21), em Belém.
Segundo eles, a ausência explícita da expressão “combustíveis fósseis” representa um grave retrocesso diante da emergência climática.
As plenárias finais da COP30 acontecem neste sábado (22) e está macara para 10h, segundo a presidência da Conferência do Clima.
Em nota conjunta, os pesquisadores destacam que, mesmo com diversos países defendendo roteiros para reduzir a dependência de combustíveis fósseis e conter o desmatamento, o documento ignora completamente o termo.
“Apesar de um grande número de países se unirem em torno de roteiros para acabar com a dependência de combustíveis fósseis e com o desmatamento e do impulso dado pelo presidente do Brasil, as palavras ‘combustíveis fósseis’ estão completamente ausentes do texto mais recente”, afirmam.
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Para o grupo, a omissão rompe com evidências científicas e compromissos assumidos no cenário internacional.
“Isso é uma traição à ciência e às pessoas, especialmente os mais vulneráveis, além de totalmente incoerente com os objetivos reafirmados de limitar o aquecimento a 1,5°C e com o quase esgotamento do orçamento de carbono”, diz o documento.
Os cientistas alertam que não há caminho seguro sem mudanças estruturais profundas.
“É impossível limitar o aquecimento a níveis que protejam as pessoas e a vida sem eliminar gradualmente os combustíveis fósseis e acabar com o desmatamento.”
A declaração é assinada por Carlos Nobre (Science Panel of the Amazon), Fatima Denton (United Nations University), Johan Rockström (Potsdam Institute for Climate Impact Research), Marina Hirota (Instituto Serrapilheira), Paulo Artaxo (USP), Piers Forster (Universidade de Leeds) e Thelma Krug (presidente do Conselho Científico da COP30).
Marina Hirota reforça a gravidade do cenário e alerta para o risco de uma conferência que não avance em decisões concretas sobre o tema.
“A inclusão da eliminação gradual dos combustíveis fósseis é fundamental para a manutenção de vida no planeta da forma como conhecemos hoje. Disso depende a possibilidade de mantermos a estabilidade climática e as condições que temos”, afirma.
“Caso isso não seja considerado nos textos que saiam dessa conferência entre as partes e, caso as promessas continuem sendo promessas sem implementação, gradualmente, ou até de forma menos previsível e mais intensa, vamos começar cada vez mais a sentir os impactos socioeconômicos e as perdas e danos recorrentes principalmente dos eventos extremos”, complementou.