Acordo Mercosul–UE ainda é insatisfatório, diz Macron
Declaração contradiz a promessa do presidente Lula de assinar o pacto comercial com os europeus no dia 20 de dezembro
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O presidente francês Emmanuel Macron disse a empresários brasileiros, nesta quinta-feira (27), que o acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia “ainda não é satisfatório e precisa ser melhorado”.
Para ele, o tratado foi negociado ao longo de 20 anos, mas não reflete os avanços recentes, em especial nas áreas de meio ambiente e sustentabilidade, necessários para que a união entre os blocos seja equilibrada, conforme aponta reportagem da CNN Brasil. E ainda segundo Macrom, pouco ou nada aborda sobre as mudanças climáticas.
A declaração vem em um momento delicado: contradiz a promessa do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de assinar o pacto comercial com os europeus no dia 20 de dezembro.
O protecionismo de Macron coloca em dúvida o cronograma e reacende debates sobre cláusulas de salvaguarda, critérios sanitários e ambientais e regras de equivalência para produtos agrícolas e pecuários exportados pelo Brasil.
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Por que isso importa?
Para o agro, especialmente para cadeias de exportação como carne, grãos, café, açúcar, frutas e commodities, a ratificação do acordo com a UE representava a perspectiva de ampliação de mercados, diversificação de destinos e redução de tarifas.
Com a declaração de Macron, paira a incerteza sobre a assinatura no dia 20 de dezembro.
Além disso, uma das críticas levantadas por Macron envolve a regulamentação de insumos agrícolas e uso de defensivos. Ele destacou que agricultores europeus enfrentam restrições mais severas do que os produtores do Mercosul, o que, segundo ele, precisa ser “nivelado” antes da assinatura.
Caso tais exigências avancem, haverá impacto direto sobre custos de produção, adequação de insumos e possíveis adaptações no manejo, o que pode elevar o custo da produção e reduzir competitividade.
Por fim, a necessidade de “salvaguardas” demandadas principalmente pela França para garantir equilíbrio entre blocos e proteção a setores internos, como os ruralistas franceses, poderá resultar em barreiras adicionais, mesmo com o acordo fechado, seja por meio de cotas, restrições sanitárias ou ambientais, o que tornaria a promessa de livre comércio mais limitada do que muitos esperavam.
A expectativa de assinatura antes do fim de 2025, defendida pelo governo brasileiro, se torna mais desafiadora. Será importante observar como evoluem as negociações na Europa para eventuais ajustes no texto, se haverá flexibilização ou exigência de padrões mais rígidos, e como o Brasil responderá às demandas ambientais e sanitárias.