‘Muita coisa boa resultará desta parceria’, diz Trump após falar com Lula sobre tarifas
Sinalização positiva entre os dois governos reacende expectativas no agronegócio por avanços nas negociações que podem aliviar taxas e destravar exportações brasileiras
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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou nesta terça-feira (02) que a conversa por telefone com o presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, foi “ótima” e demonstrou otimismo: “muita coisa boa resultará desta parceria recém-formada”.
O telefonema, que durou 40 minutos, tratou de temas como comércio, sanções, cooperação no combate ao crime organizado e, em especial para o agronegócio, a retirada de barreiras tarifárias ainda aplicadas a produtos brasileiros como pescados, mel, café solúvel e uva.
Atualmente, cerca de 22% do que o Brasil exporta aos Estados Unidos ainda enfrenta a sobretaxa de importação de 50%. Do lado brasileiro, o governo informou que Lula manifestou disposição para “avançar rápido” nas negociações.
A interlocução ocorre após a Casa Branca ter revogado, em 20 de novembro, a tarifa adicional de 40% para 238 produtos, incluindo café, frutas tropicais, carne bovina, sucos e especiarias.
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O agronegócio observa com atenção: a retomada da diplomacia e a sinalização positiva dos dois presidentes para negociar tarifas e sanções podem abrir caminho para o restabelecimento de fluxos de comércio exterior, especialmente de commodities agrícolas, carne, café e frutas, setores fortemente afetados pelas restrições impostas pelo tarifaço.
Também na pauta
A conversa também teria incluído as sanções atualmente vigentes contra 18 autoridades brasileiras, como os ministros do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes, Flávio Dino e Gilmar Mendes. A maioria teve vistos de entrada cancelados. Já Moraes e sua mulher, Viviane Barci, estão sancionados sob a Lei Magnitsky.
Além das tarifas, seguem na pauta temas regulatórios como terras raras, minerais críticos, big techs, energia renovável, taxa de entrada do etanol americano no Brasil e o Regime Especial de Tributação para Serviços de Data Center (Redata).
No campo da segurança, os países estabeleceram cooperação no combate ao crime organizado — assunto que, para o Brasil, impacta diretamente a logística e a integridade das cadeias de exportação, especialmente no transporte e no escoamento de cargas rumo a portos e mercados internacionais.
Otimismo
Analistas descrevem o momento como uma “janela de oportunidade”. Para o governo federal e para o setor privado, o desafio será transformar o otimismo em resultados concretos: remover tarifas, dar estabilidade aos contratos de exportação e negociar novos acordos bilaterais.
A parceria Brasil–EUA, destacada por Trump, pode se tornar um elemento decisivo para a normalização das exportações brasileiras nos próximos meses.