Tarifaço dos EUA segue valendo para café solúvel, uva, mel e pescados
Alívio ainda não chegou para produtores destes produtos, que seguem vulneráveis ao embargo norte americano
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Apesar da redução recente de sobretaxas por parte dos Estados Unidos, alguns itens do agronegócio brasileiro continuam sofrendo pelo embargo imposto pelo presidente Donald Trump.
Produtos como café solúvel, uva, mel e pescados ainda enfrentam alíquota de 50% para entrar no mercado norte-americano, já que foram deixados de fora das isenções anunciadas em novembro.
O respiro começou na primeira quinzena de novembro, quando foi suspensa a sobretaxa de 10% aplicada em abril para cerca de 200 produtos alimentícios brasileiros.
Depois, em 20 de novembro, o alívio maior veio com um dos anúncios mais esperados do ano: a queda de sobretaxa extra de 40% imposta em julho para mais de 200 itens.
Mas, nem tudo são flores. A exceção para os setores mencionados gera apreensão: para esses mercados, a combinação da taxa elevada com a perda de competitividade afeta exportações, preços, volume de venda, empregos e planejamento de safra. Para representantes destes setores, o governo brasileiro "tirou o pé do acelerador" sobre a questão, e as negociações teriam perdido seu caráter de urgência.
Impactos já visíveis
Os efeitos do tarifaço já aparecem nos números: no caso da uva, por exemplo, houve retração expressiva das exportações para os EUA, e mesmo com ajustes, a demanda americana caiu de forma acentuada. Os embarques despencaram 70% entre julho e setembro, resultando em uma queda de 22% na receita.
Para o mel, a situação é ainda mais sensível: além da tarifa de 50%, o produto já sofria uma taxa extra de importação, o que penaliza a categoria e gera incertezas sobre renovações de contratos.
Já o setor de pescados reclama da falta de prioridade nas negociações bilaterais, o que mantém o entrave tarifário e compromete competitividade.
No segmento de café solúvel, a penalização tem implicações diretas: os Estados Unidos foram tradicionalmente um mercado importante para esse produto brasileiro, mas com a tarifa de 50%, muitos compradores americanos devem buscar alternativas como Vietnã, Colômbia ou outros fornecedores, abrindo espaço para concorrentes estrangeiros recuperarem a fatia de mercado que o Brasil conquistou historicamente.
Para produtores e exportadores, um sinal de preocupação com a liquidez de pedidos, renegociações de contratos e planejamento de produção.
O que esperar adiante
Com a manutenção das tarifas sobre esses itens, os exportadores brasileiros já têm sinais claros: será preciso diversificar destinos, ajustar volumes e negociar preços com cuidado.
O governo federal reafirma que acompanha o cenário e busca alternativas, dado que o mercado norte-americano continua relevante para muitas cadeias produtivas.
Para produtores, cooperativas e empresas exportadoras, o momento exige planejamento de safra mais conservador, avaliação de custos logísticos, diversificação de portfólio e atenção aos mercados alternativos como Europa, América Latina e Ásia.
Para estes setores vulneráveis (café solúvel, mel, pescados, frutas) será essencial combinar estratégia de mercado com eficiência para manter a viabilidade econômica.