Produzir camarão de água salgada no interior: sonho possível?

    Centro da ADM testa modelo experimental que busca adaptar a espécie ao interior do país

    Produzir camarão de água salgada no interior: sonho possível?
    03deDezembrode2025ás13:46

    A criação de camarão sempre foi uma atividade associada ao litoral brasileiro. Mas pesquisas conduzidas pela ADM em seu Centro de Excelência e Inovação em Aquicultura em Aparecida do Taboado (MS), na divisa com São Paulo, vêm testando um cenário que até pouco tempo atrás parecia improvável: produzir camarão de água salgada no interior do país.

    A iniciativa integra o Centro de Excelência e Inovação em Aquicultura da ADM, que há dois anos mantém uma estação experimental dedicada ao estudo da espécie em sistemas com água salinizada.

    O trabalho busca reproduzir as condições enfrentadas por produtores interessados em avaliar a viabilidade da criação longe da zona costeira.

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    Segundo Fabio Catunda, diretor de Criação, Design e Desenvolvimento da ADM para a América Latina, o projeto ainda é de longo prazo, mas já gera aprendizado importante para a cadeia.

    “A gente tem esse sonho. Trazer camarão de água salgada para o interior do Brasil é caro, mas acreditamos que no futuro será possível. É um sonho, por enquanto é um sonho.”

    Catunda explica que a equipe vem testando desempenho, manejo e ajustes nutricionais sob diferentes condições de cultivo durante os dois anos de operação da estação experimental. O objetivo é entender quais desafios precisam ser superados antes de considerar qualquer avanço comercial.

    “O processo de salinização torna tudo mais caro. Mas acreditamos que, com tecnologia e economia de escala, é algo que pode ser viável no futuro”, afirma.

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    Tecnologia

    O trabalho também envolveu o desenvolvimento de formulações específicas para camarões criados fora do ambiente tradicional. Entre elas está o Camanutri On Flavor, produto lançado após estudos conduzidos no próprio centro.

    “Esse é um exemplo de solução que nasceu por meio de estudos no Centro de Excelência e Inovação Aquícola e que ajuda os produtores a conquistar novos mercados, já que permite oferecer um camarão mais saboroso para os consumidores, mesmo em sistemas extensivos e semi-intensivos”, diz Catunda.

    Por ora, a ADM trata a iniciativa como pesquisa aplicada. Os testes ajudam a medir adaptação, potencial de crescimento e limitações produtivas, mas sem projeções de curto prazo. A empresa reforça que, no momento, o foco está em compreender o comportamento da espécie em sistemas controlados e avaliar o que seria necessário para, eventualmente, tornar o modelo viável no interior do Brasil.

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