Governo suspende lista de espécies invasoras após pressão do agro e adia decisão sobre tilápia

    Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima suspendeu o processo para ampliar o diálogo com produtores e parlamentares

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    Governo suspende lista de espécies invasoras após pressão do agro e adia decisão sobre tilápia
    05deDezembrode2025ás10:00

    O Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) suspendeu o processo de criação da Lista Nacional de Espécies Exóticas Invasoras Presentes no Brasil.

    A decisão foi anunciada pela presidência da Comissão Nacional de Biodiversidade (Conabio) após semanas de forte reação de cadeias produtivas, que temiam a inclusão de espécies amplamente utilizadas na agropecuária, especialmente a tilápia, responsável por cerca de 68% da produção aquícola nacional, com mais de 660 mil toneladas em 2023, de um total próximo de 970 mil toneladas. 

    A polêmica havia ganhado intensidade nas últimas semanas, a ponto de o Ibama precisar intervir publicamente para conter rumores de que a tilapicultura seria proibida caso o peixe fosse classificado como invasor. Produtores relatavam prejuízos e insegurança diante da possibilidade de novas exigências ambientais e entraves ao licenciamento. 

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    Segundo o MMA, a suspensão é temporária e tem objetivo de ampliar a escuta aos setores econômicos envolvidos, consolidar contribuições e definir medidas de controle compatíveis com as atividades produtivas. Não há prazo definido para retomada da elaboração da lista. 

    Reação no campo e impacto sobre cadeias produtivas 

    Embora o governo tenha reforçado que a lista possui caráter preventivo e não implica banimento ou restrições diretas ao cultivo, produtores apontam que o reconhecimento oficial de espécies exóticas invasoras costuma servir de alerta para ações rápidas em caso de escape no ambiente natural.

    O temor, contudo, era de que isso abrisse espaço para maior burocracia, exigências adicionais e insegurança jurídica, sobretudo no caso da tilápia, que figurou em versões preliminares do documento. 

    Além da piscicultura, setores como florestas plantadas e fruticultura também acompanhavam de perto o debate. Espécies como eucalipto, pínus, manga, goiaba e jaca apareceram na minuta submetida pela Conabio, acendendo o sinal de alerta entre produtores e cooperativas. 

    O Ministério da Pesca e Aquicultura (MPA) já havia manifestado preocupação com os possíveis efeitos sobre a atividade, que mantém forte expansão em diversas regiões do país. 

    Articulação política pressiona o governo 

    A mobilização da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) foi decisiva para a suspensão. Parlamentares cobravam mais diálogo, fundamentação técnica e avaliação socioeconômica das consequências da lista. 

    Presidente da FPA, o deputado Pedro Lupion (Republicanos-PR) afirmou que o tema exige cuidado para evitar riscos a cadeias consolidadas. 

    “A lista apresentada precisava de uma aproximação maior com a realidade da produção brasileira. Nosso papel é garantir que qualquer decisão considere os impactos para quem produz e para quem vive da atividade agropecuária”, disse. Sobre a tilápia, reforçou que 70% do pescado do país é produzido no Paraná. “É uma cadeia estruturada, sustentável e essencial para milhares de famílias,” afirmou. 

    O deputado Sérgio Souza (MDB-PR), ex-presidente da FPA, destacou a relevância econômica das espécies citadas na minuta. “Pinus e eucalipto sustentam setores inteiros da indústria brasileira, como madeira, papel e celulose. Qualquer metodologia precisa considerar evidências científicas e os efeitos socioeconômicos”, disse. Ele também ressaltou a maturidade da aquicultura: “A tilápia é uma atividade madura, com práticas ambientais seguras e forte organização produtiva”. 

    Próximos passos 

    Em nota, o MMA afirmou que a suspensão permitirá ampliar o diálogo com setores econômicos e instituições científicas antes da retomada do processo. O ministério reforçou que a lista tem natureza preventiva e não representa, por si só, restrições ao cultivo. 

    A FPA agora defende a criação de um grupo técnico interministerial para revisar critérios e construir diretrizes que conciliem conservação ambiental, segurança jurídica e continuidade da produção. 

    Para Lupion, o resultado fortalece a tomada de decisão: “O Brasil tem expertise para produzir com sustentabilidade. O caminho é integrar ciência, tecnologia e a experiência de quem está no campo”, concluiu.

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