BNDES libera R$ 200 milhões para o carro voador no Brasil
Recursos vão acelerar testes e certificação do eVTOL da Eve, subsidiária da Embraer, com foco em mobilidade aérea urbana sustentável
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O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) aprovou um financiamento de R$ 200 milhões para apoiar a Eve Air Mobility, subsidiária da Embraer dedicada ao desenvolvimento de soluções para o mercado de Mobilidade Aérea Urbana (UAM).
Os recursos serão aplicados na fase de integração e funcionamento dos motores elétricos da primeira aeronave de certificação da empresa.
Do total aprovado, R$ 160 milhões virão do Fundo Clima e R$ 40 milhões da linha Finem.
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Além do desenvolvimento do sistema de propulsão, a Eve também deverá preparar o veículo para a campanha de testes necessária à obtenção do certificado de tipo junto à Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC).

Aeronave terá alcance de 100 km
O eVTOL da Eve terá capacidade para quatro passageiros, além do piloto, alcance de 100 quilômetros e espaço para duas malas ou quatro bagagens de mão.
A aeronave contará com oito motores elétricos elevadores (lifters) nas asas, o que amplia o nível de segurança e a controlabilidade para o voo vertical, além de um motor na parte traseira para a navegação horizontal.
Para o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, o projeto representa uma mudança estrutural no conceito de mobilidade urbana.
“A fabricação do eVTOL é uma inovação disruptiva no conceito de mobilidade urbana, com um veículo que vai conectar os principais pontos das grandes cidades e regiões metropolitanas, com menor emissão de gases de efeito estufa que helicópteros e carros convencionais. O BNDES tem todo o interesse em apoiar um projeto que já tem 2,8 mil pedidos de encomenda de clientes em nove países. Queremos que o primeiro voo aconteça em 2026, 120 anos após o voo do 14-Bis, um feito histórico de Santos Dumont e legado para o mundo”, afirmou.
O CFO da Eve, Eduardo Couto, ressaltou a importância do financiamento para o avanço do programa.
“Esse financiamento acelera uma etapa crítica do nosso programa: a integração do sistema de propulsão elétrica, que garantirá desempenho, segurança e confiabilidade à nossa primeira aeronave certificável. Agradecemos ao BNDES pela confiança e pelo apoio contínuo à nossa visão de transformar a mobilidade urbana com soluções eficientes e sustentáveis, desenvolvidas e industrializadas no Brasil”, disse.
Histórico de apoio
O apoio foi anunciado nesta terça-feira (9), em São Paulo.
Na ocasião, a Eve celebrou, com o tradicional toque de campainha na B3, sua listagem na bolsa brasileira, ocorrida em agosto deste ano.
A empresa já está listada na Bolsa de Valores de Nova York (NYSE) desde 2022. A entrada no mercado brasileiro faz parte da estratégia de diversificação da base acionária, ampliando o acesso a investidores e fortalecendo a estrutura de capital do programa.
Durante a cerimônia na B3, o diretor Financeiro e de Mercado de Capitais do BNDES, Alexandre Abreu, destacou o simbolismo do projeto.
"Quando olhamos o filme do eVTOL voando sobre São Paulo, é impossível como brasileiro não parar e pensar: nós no Brasil estamos construindo uma coisa revolucionária. O país consegue competir de igual para igual em alta tecnologia nesse campo. A Embraer é um orgulho, é mais que uma empresa de aviação, é o símbolo de um Brasil que dá certo. E o BNDES tem orgulho de participar da Embraer, é o segundo maior acionista", disse. Ele também comemorou o retorno do BNDES ao mercado de capitais, após dez anos sem esse tipo de investimento.
Desde 2022, o BNDES já aprovou R$ 1,2 bilhão em crédito para apoiar a Eve em diferentes fases do desenvolvimento do eVTOL, incluindo a construção da fábrica em Taubaté (São Paulo). Em agosto deste ano, o banco anunciou ainda R$ 405,3 milhões em investimento direto na empresa, dentro da estratégia de retomada da atuação da BNDESPAR em renda variável.