Cota no México e risco na Venezuela pressionam o mercado de arroz

    Dependência das exportações cresce em 2026 diante de estoques elevados, consumo fraco e maior vulnerabilidade externa

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    Cota no México e risco na Venezuela pressionam o mercado de arroz
    07deJaneirode2026ás17:22

    O mercado brasileiro do arroz passou a incorporar de forma mais intensa os efeitos de um ambiente externo que deixou de ser complementar e passou a ser determinante para o equilíbrio doméstico. A análise é da Segundo a consultoria Safras.

    Com estoques de passagem elevados, consumo interno estruturalmente enfraquecido e baixa capacidade de absorção do varejo, a exportação assume papel central na formação de preços e na sustentação mínima das margens ao longo de 2026.

    “Nesse contexto, qualquer alteração nos principais destinos de escoamento passa a gerar impacto direto e imediato sobre o mercado interno”, pondera o analista e consultor Evandro Oliveira.

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    A consolidação da Venezuela como maior importador de arroz em casca do Brasil na temporada comercial 2025/26, com volumes superiores a 165 mil toneladas, tornou-se um dos principais pilares de sustentação do mercado.

    “Esse fluxo tem contribuído de forma decisiva para reduzir a pressão sobre os estoques e evitar um colapso ainda maior das cotações domésticas”, lembra Oliveira.

    Embora o risco de interrupção seja considerado baixo no curto prazo, o caráter sensível e concentrado desse destino amplia a vulnerabilidade do setor. 

    Qualquer desaceleração ou ruído de natureza logística, financeira ou política teria efeito imediato sobre a liquidez interna, aumentando a oferta disponível no mercado físico e reforçando o viés baixista dos preços.

    México impõe limite estrutural às exportações

    No caso do México, os impactos tendem a ser mais estruturais.

    “Historicamente, trata-se de um destino-chave em momentos de excedente, com média de 169,7 mil toneladas exportadas nas últimas cinco safras e capacidade comprovada de absorver volumes muito superiores, como em 2022, quando os embarques alcançaram 446,8 mil toneladas”, pondera o consultor.

    “A introdução de uma cota de 200 mil toneladas para 2026 altera profundamente essa dinâmica, ao limitar a elasticidade exportadora justamente em um período de elevada necessidade de escoamento”, lamenta.

    Além disso, o fato de essa cota ser disputada entre diferentes exportadores das Américas — Brasil, Estados Unidos, Uruguai, Paraguai e Argentina — transforma o México em um mercado de concorrência direta por market share.

    Isso aumenta a imprevisibilidade dos fluxos brasileiros e reduz a capacidade do país de utilizar esse destino como uma válvula plena de ajuste em anos de excesso de oferta.

    “Mesmo mantendo presença relevante, o Brasil passa a enfrentar maior risco de frustração de volumes, especialmente em momentos de pressão logística ou competitiva”, finaliza.

     

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