Casais, amizades e carreiras: as histórias que a Massey Ferguson eternizou em livro
Obra reúne memórias de 45 ex-colaboradores e transforma trajetórias profissionais em um retrato afetivo da história da marca no Brasil

Durante lançamento, emoção também tomou conta de Rudge Raquel Ferreira, que trabalhou quase nove anos na empresa. (Foto - Fabio Frattini Manzini)
Toda grande história é feita por pessoas que deixam marcas.
Foi com esse espírito que a Massey Ferguson lançou, nesta terça-feira (20), o livro Legendários, obra que reúne memórias, trajetórias e afetos de 45 ex-colaboradores que ajudaram a construir a história da empresa no Brasil.
O evento, realizado na unidade da AGCO em Jundiaí (SP), foi marcado por reencontros, lágrimas, risos e pela sensação de que o tempo, ali, não passou em vão.
Ao final da cerimônia, a empresa preparou uma surpresa para os legendários: por meio de recursos de inteligência artificial, fotos antigas dos colaboradores ganharam vida. A emoção tomou conta da sala.
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O livro fala da evolução de uma marca, e muito mais de gente.

De ex-presidentes, técnicos, secretárias, vendedores, operadores e tantos outros profissionais que, em diferentes épocas, ajudaram a erguer a Massey Ferguson no país.
No prefácio, a jornalista Fernanda Teixeira, gerente de Comunicação da AGCO para a América do Sul, explica que a obra nasceu do desejo de resgatar memórias e homenagear aqueles que escreveram capítulos decisivos da trajetória da empresa desde sua chegada ao Brasil, em 1961.
Um amor que começou nos corredores da empresa
Entre essas histórias está a de Tereza Cristina Pimentel Rocha Paz Leme, 67 anos. Ela trabalhou 16 anos na empresa, entre 1980 e 1996, passando por diferentes unidades e setores, da manutenção à área comercial, até chegar à exportação, onde atuou como secretária. Foi ali que conheceu o engenheiro agrônomo José Roberto Paes Leme, então estagiário de engenharia, que permaneceu na empresa de 1980 a 1986.
“Eu entrei em fevereiro de 1980, e ele também. A gente se conheceu num encontro com vários funcionários novos”, relembra. Quatro anos depois, estavam casados.

Hoje, Tereza fala com orgulho da família que se formou ali: uma filha e três netos. “Eu devo a minha família à Massey. Foi ali que tudo começou. É o que eu tenho de mais valioso”, disse, emocionada. Ao resumir o dia do lançamento, ela foi direta: “Gratidão. Amizade. Faltam adjetivos para tanta coisa boa”.
Para José Roberto, hoje com 68 anos, o sentimento é parecido.
“Foi pouco tempo, mas foi um período de muito crescimento, não só profissional, mas humano também”, contou. Ele brinca que o encontro com Teresa foi “armação” de colegas do RH, mas fala sério ao comentar o impacto de ver sua história registrada em um livro. “Tem o nome da minha filha, dos meus netos. Isso vai ser história para eles também. É emocionante mesmo.”
Amizades que resistiram ao tempo
A emoção também tomou conta de Rudge Raquel Ferreira, que trabalhou quase nove anos na empresa. Para participar do lançamento da obra nesta terça-feira, precisou até tomar remédio para pressão. “Eu fiquei sem palavras”, contou, ainda impactada ao ver o livro.
Para ela, a experiência na Massey foi única. “Esse grupo é único. A gente se vê o tempo inteiro. Temos grupos, encontros, amizades que nunca acabaram.”
Maria da Graça de Araújo, que entrou na empresa aos 17 anos e ficou seis anos, guarda lembranças parecidas. “Foi uma fase que marcou muito. Eu estava entrando na faculdade, era muito nova. As pessoas eram muito acolhedoras”, contou. Ao falar sobre o lançamento, resumiu sem rodeios: “Amei tudo. Foi uma ideia excelente”.

Um livro que também conta a história da agricultura brasileira
A jornalista Eloisa Rangel, que coordenou o projeto, define Legendários como um retrato não só da empresa, mas também da própria história da agricultura brasileira.
Segundo ela, o livro traz relatos de pessoas que ajudaram a estruturar fábricas, iniciar exportações e levar máquinas brasileiras para outros países, em uma época em que o Brasil ainda engatinhava nesse processo.
Trajetórias que ajudaram a moldar a Massey Ferguson no Brasil
Entre esses nomes estão o engenheiro agrônomo Waldyr Lobo, 96 anos, que teve como último cargo o de diretor de Vendas e Marketing, e o engenheiro mecânico Norberto Farina, 85 anos, que chegou à presidência da empresa.
Waldir conta que nasceu no interior paulista, formou-se em agronomia e acompanhou desde cedo a chegada da Massey ao país, participando da nacionalização da produção e da implantação da primeira fábrica, em 1961.
Já Farina, que trabalhou na empresa de 1965 a 1996 e foi ex-presidente da Massey Ferguson no Brasil, esteve à frente de decisões estratégicas nos anos 1980, em um período de desafios financeiros, negociações e reorganizações que culminaram na venda da empresa para a AGCO. Para ele, o maior legado não está apenas nos negócios, mas na formação de pessoas e no impacto social.
No fim, Legendários não é apenas um livro. Por trás de cada máquina, sempre houve histórias, encontros, famílias e amizades. Mais que máquinas, são pessoas que constroem legados.
