Café melhora ou piora a ressaca? Médico explica quando ajuda e quando faz mal

    Especialista alerta que a cafeína pode aliviar a sonolência após o excesso de álcool, mas também intensificar sintomas em pessoas mais sensíveis

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    Café melhora ou piora a ressaca? Médico explica quando ajuda e quando faz mal
    18deFevereirode2026ás14:44

    Depois de dias de excesso no Carnaval, a conta costuma chegar na quarta-feira de Cinzas: dor de cabeça, enjoo, fraqueza e aquela sensação de dor no corpo.

    Na tentativa de encontrar uma “cura da ressaca”, muita gente corre para o café. Mas a cafeína realmente ajuda a aliviar os efeitos do álcool ou pode piorar o quadro?

    A resposta depende do organismo e da intensidade dos sintomas.

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    Café pode aliviar a sonolência — mas não trata a intoxicação

    Rico em cafeína, o café é um estimulante do sistema nervoso central. Ele acelera o funcionamento cardiovascular e o metabolismo, o que pode reduzir a sonolência e a indisposição típicas da ressaca.

    Café sendo coado em filtro de papel, bebida rica em cafeína que pode influenciar sintomas da ressaca

    Em quadros leves, o “cafezinho” pode ajudar a recuperar o estado de alerta. No entanto, é importante lembrar: a ressaca é resultado de um processo de intoxicação. O excesso de álcool e sua metabolização produzem substâncias tóxicas que afetam diretamente órgãos e sistemas do corpo.

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    Ou seja, o café pode mascarar o cansaço, mas não elimina os efeitos do álcool no organismo.

    Quando o café pode piorar a ressaca

    Se o consumo de álcool foi elevado e os sintomas são mais intensos, a cafeína pode não ser a melhor alternativa. Pessoas com doenças cardíacas, enxaqueca, insônia ou transtornos psicológicos são mais sensíveis aos efeitos da substância.

    Nesses casos, o café pode desencadear arritmia — sensação de “batedeira no peito” —, tremores musculares e, em alguns casos, diarreia. Isso ocorre porque a cafeína também influencia o sistema nervoso parassimpático, responsável por funções involuntárias do corpo.

    Assim, embora possa ajudar na sonolência, o consumo inadequado pode agravar desconfortos e prolongar o mal-estar.

    Não existe remédio específico para ressaca

    O médico de emergências do Pronto-Socorro do Hospital do Servidor Público Estadual (HSPE), em São Paulo, Igor Padoim, explica que não há um tempo exato para a recuperação — e que exagerar na cafeína pode piorar a situação.

    “Quanto mais álcool, mais tempo vai ser necessário para curar a ressaca. E, se consumir cafeína em excesso ou desrespeitando uma indicação, os sintomas da substância no corpo podem demorar de 6 a 8 horas para cessarem. Por isso, o ideal é se hidratar e se alimentar bem, além de descansar. Um organismo em boas condições tem mais eficiência em eliminar os produtos tóxicos da metabolização do álcool”, acrescenta.

    Não existe antídoto ou medicamento específico para tratar a ressaca. O tratamento é sintomático, voltado apenas para reduzir os desconfortos provocados pela intoxicação alcoólica.

    Padoim também alerta que, diante de sintomas intensos ou fora do padrão, o atendimento médico deve ser procurado. “O corpo humano emite sinais precisos quando algo está errado. Então, se você exagerou, recupere-se, porque a ressaca é uma sinalização do corpo importante que não deve ser ignorada”, finaliza.

    No fim, o café pode ser aliado em casos leves, mas não substitui hidratação, alimentação adequada e descanso — que continuam sendo as medidas mais eficazes para enfrentar a ressaca e reduzir os efeitos do álcool no organismo.

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