Carnaval 2026 homenageia Lula e leva agro e MST à avenida
Escolas de samba e blocos de rua levam temas do campo, da luta pela terra e da política para o Carnaval de 2026
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O “maior espetáculo da Terra” está prestes a colocar o bloco na rua e colorir as passarelas, ruas e avenidas do Brasil.
É o Carnaval de 2026, que promete dar projeção a histórias e temas (alguns polêmicos) que certamente serão alvo de discussão, principalmente, nos sambódromos do Rio de Janeiro e de São Paulo.
Alguns enredos se destacam por dialogar diretamente com a vida no campo, com a cultura agro, reforma agrária e até passando por temas de forte conotação política, como uma atípica homenagem ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), primeira vez na história em que um presidente da República em exercício e em franca disputa pela reeleição recebe tal homenagem.
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Reforma Agrária e o homem do campo
Em São Paulo, a tradicional Acadêmicos do Tatuapé preparou um enredo que deve chamar a atenção por sua forte ligação com temas agrários e sociais.
O samba-enredo “Plantar para Colher e Alimentar: Tem Muita Terra Sem Gente e Muita Gente Sem Terra” aborda a importância da reforma agrária e da agricultura familiar para alimentar o Brasil, uma narrativa ácida que une samba, crítica social e discussão sobre o uso da terra. O enredo é Inspirado no Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST).
Outro destaque paulistano é a Gaviões da Fiel, que resgata no samba-enredo “Vozes Ancestrais para um Novo Amanhã” a luta e legado dos povos indígenas.
O samba terá ênfase na preservação das florestas e da vida, um tema que ecoa diretamente nas discussões sobre meio ambiente, marco temporal, territorialidade e relações entre cultura, natureza e sobrevivência.
Lula na Sapucaí
No Rio de Janeiro, pela primeira vez desfilando no Grupo Especial, a Acadêmicos de Niterói escolheu um enredo que narra a trajetória de Luiz Inácio Lula da Silva sob a ótica de sua mãe, dona Lindu.
Batizado de “Do alto do Mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil”, deverá estrear no Grupo Especial cantando a história do presidente.
A escolha, por óbvio, tem gerado debate e questionamentos sobre propaganda antecipada em ano eleitoral, já que a homenagem a um político em exercício, com referências diretas ao seu nome e trajetória, pode ser vista como um uso midiático do samba-enredo.
Sobrou para o presidente da Acadêmicos de Niterói, Wallace Palhares, que já foi exonerado do cargo de assistente da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), lotado no gabinete do deputado Dionísio Lins (PP).
Enquanto isso, a senadora Damares Alves (Republicanos-DF) e o deputado federal Kim Kataguiri (MBL-SP), se movimentam contra os repasses de verba pública à escola de samba, na casa de R$ 1 milhão.
MST no Rio de Janeiro
O MST também deve figurar no Carnaval do Rio de Janeiro, com o bloco de rua homônimo, previsto para desfilar no dia 7 de fevereiro, com itinerário entre o Centro e a Praça da Harmonia.
O bloco traz elementos ligados à luta pela terra, cultura camponesa e agroecologia, inclusive com baterias formadas por agricultores e militantes que incorporam ferramentas agrícolas (como enxadas) ao ritmo da festa.