Produção agroindustrial cai em novembro sob efeito de juros e cenário externo
Resultado de novembro reflete aperto monetário e ambiente externo mais instável, segundo a FGV Agro
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(Foto-Álvaro Rezende)
A agroindústria registrou leve queda de 0,3% em novembro de 2025, na comparação com o mesmo mês de 2024, refletindo o ritmo mais lento da economia e os efeitos da política monetária contracionista adotada pelo Banco Central.
É o que aponta o Índice de Produção Agroindustrial (PIMAgro), calculado pelo FGVAgro.
O desempenho do setor acompanha a desaceleração da atividade econômica no país, pressionada pelo custo elevado do crédito e, em menor medida, pelas incertezas no cenário externo — incluindo os impactos do tarifaço imposto pelos Estados Unidos.
Apesar do recuo, a contração foi parcialmente amortecida pelo avanço da produção de alimentos, que cresceu 4,0% no mês.
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Em contrapartida, os segmentos de Produtos Não Alimentícios e de Bebidas registraram quedas de 3,6% e 4,2%, respectivamente, e puxaram o índice para baixo.
Alimentos evitam queda mais intensa
No agregado, a retração de 0,3% em novembro foi concentrada fora da cadeia de alimentos.
O segmento de Produtos Alimentícios e Bebidas cresceu 2,6% na comparação interanual, sustentado pela expansão generalizada dos alimentos (+4,0%), que compensou parcialmente o desempenho negativo das bebidas.
Dentro desse grupo, o setor de Alimentos de Origem Animal avançou 4,8%, impulsionado sobretudo pela maior produção de carne bovina. Também contribuíram positivamente as cadeias de carnes suínas, aves, laticínios e pescados.
Já os Alimentos de Origem Vegetal cresceram 2,7%, com destaque para arroz, trigo, óleos e gorduras, além de conservas e sucos. A alta só não foi mais intensa porque a produção de café e, principalmente, de açúcar recuou no período.
O setor de Bebidas, por sua vez, contraiu 4,2%, refletindo a queda tanto nas bebidas alcoólicas (-6,5%) quanto nas não alcoólicas (-1,6%).
Não alimentícios aprofundam perda de fôlego
O segmento de Produtos Não Alimentícios apresentou retração de 3,6% em novembro, em relação ao mesmo mês de 2024. Mesmo o setor de Insumos Agropecuários, que vinha acumulando altas consecutivas, registrou forte queda de 5,3%.
O recuo foi provocado pela menor produção de intermediários para fertilizantes, defensivos agrícolas, tratores e máquinas. A produção de adubos e fertilizantes ajudou a conter uma retração ainda maior.
Além dos insumos, também apresentaram desempenho negativo os setores de Produtos Têxteis (-2,9%), Produtos Florestais (-0,6%), Biocombustíveis (-8,9%) e Fumo (-2,2%).
Ano ainda no vermelho
Com o resultado de novembro, a produção agroindustrial acumula queda de 0,2% entre janeiro e novembro de 2025. Para que o setor feche o ano em expansão frente a 2024, será necessário que a produção cresça ao menos 2,2% em dezembro, na comparação interanual — um patamar considerado difícil, dado que a média de crescimento dos últimos três meses foi de apenas 0,8%.
A queda acumulada no ano é explicada exclusivamente pelo segmento de Produtos Não Alimentícios, que recua 1,1% no período. Já o segmento de Produtos Alimentícios e Bebidas acumula alta de 0,6%.
Entre os setores em campo positivo no ano estão Alimentos de Origem Animal (2,6%), Insumos Agropecuários (10,6%), Produtos Têxteis (1,5%) e Fumo (8,3%).
Por outro lado, seguem em queda:
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Alimentos de Origem Vegetal (-1,0%),
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Bebidas (-2,7%),
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Produtos Florestais (-0,9%) e
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Biocombustíveis (-20,0%).
O cenário-base indicado pelo FGVAgro é de algo muito próximo da estabilidade ao fim do ano. O segmento de Produtos Alimentícios e Bebidas já eliminou as perdas acumuladas e deve encerrar 2025 em terreno positivo.
Já o de Produtos Não Alimentícios, que ainda recua 1,1% até novembro, precisaria crescer 15,1% em dezembro para fechar o ano estável — uma hipótese considerada pouco provável.
Embora o resultado de novembro não impeça que a agroindústria elimine as perdas de 2025, os dados ainda não refletem uma recuperação associada à revogação das tarifas impostas pelos Estados Unidos ao setor. O número final do ano será conhecido no próximo mês.