Governo mobiliza 4,6 mil brigadistas e divulga plano nacional contra incêndios em 2026
Ministério do Meio Ambiente anuncia estratégia de prevenção e combate ao fogo com brigadas ampliadas, monitoramento por satélite e estrutura operacional em todo o país
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Brigadistas do Prevfogo/Ibama combatem incêndios florestais no Pantanal em 2024. (Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)
O governo federal divulgou nesta quarta-feira (4) o plano nacional de combate aos incêndios florestais para 2026, que prevê a mobilização de 4,6 mil brigadistas e uma estrutura operacional para atuar em todo o país.
A estratégia inclui a publicação de portarias de emergência ambiental por região, além da organização de brigadas florestais e de uma infraestrutura logística para prevenção e combate ao fogo.
A ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva, afirmou que as medidas fazem parte de um esforço iniciado em 2023, quando o país enfrentou uma forte crise de queimadas.

Segundo ela, os resultados começaram a aparecer em 2025, quando houve redução de 39% nos focos de fogo no Brasil. A queda foi mais expressiva na Amazônia e no Pantanal, com recuos de 75% e de mais de 90%, respectivamente.
“Então é planejar, prevenir e combater. Sobretudo, que isso não sejam políticas que se instalam no momento em que a crise está posta”, diz.
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Portaria define períodos de emergência
O presidente do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), Rodrigo Agostinho, explicou que a publicação da portaria de emergência no Diário Oficial da União é um passo necessário para a contratação de brigadistas e também funciona como um instrumento de alerta.
O documento estabelece os períodos de emergência ambiental em cada região do país.
“Apesar desse ano ter sido um ano chuvoso em boa parte do país, a gente está justamente agora em um momento de mudança do ponto de vista climatológico e para nós é um momento sempre de apreensão”, reforça.
De acordo com Agostinho, a definição dos períodos de emergência considera critérios científicos, como déficit de chuvas, histórico de temperaturas elevadas, previsões climáticas e as características das diferentes mesorregiões brasileiras, indicando onde os riscos de incêndio são maiores.
Estrutura operacional e brigadistas
Essas informações orientam o trabalho das equipes do Ibama, do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e de outros órgãos ambientais. A atuação será coordenada a partir da Sala de Situação permanente criada em 2024.
Além desse centro de monitoramento, a operação contará com três bases logísticas, duas vilas operacionais de combate ampliado e um sistema de monitoramento via satélite em tempo real.
Segundo Agostinho, o planejamento prevê a atuação de 246 servidores das brigadas florestais, sendo 131 brigadas do Ibama e 115 brigadas do ICMBio, distribuídas nas áreas com maior risco de incêndio. Considerando também os brigadistas temporários, o efetivo total chegará a 4.660 profissionais em todo o país.
“Algo que sempre foi muito importante ao longo da nossa história é que a gente tem trabalhado com, pelo menos, 50% das nossas brigadas formada por indígenas e algo perto de 10% de quilombolas e isso é muito importante porque são pessoas que conhecem os territórios e estão acostumadas a andar no ambiente florestal,” conclui.