Quedas de energia matam 1,1 milhão de tilápias e 20 mil frangos no Paraná

    Falhas no fornecimento elétrico no oeste do Estado provocam perdas na piscicultura e na avicultura e reacendem críticas do setor rural à qualidade do serviço no campo

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    Foto: Sistema Faep

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    04deMarçode2026ás16:16

    Quedas de energia no oeste do Paraná provocaram a morte de 1,1 milhão de tilápias e 20 mil frangos em propriedades rurais, gerando prejuízos milionários a produtores e reacendendo críticas ao fornecimento elétrico da Copel.

    Segundo reportagens do Globo Rural, produtores registraram perdas tanto na piscicultura quanto na avicultura, com prejuízos que somam milhões de reais.

    O caso mais grave ocorreu em Tupãssi, onde cerca de 1,1 milhão de tilápias morreram na semana passada, no dia 26 de fevereiro, após a interrupção de energia que paralisou os aeradores responsáveis pela oxigenação da água. Os peixes estavam distribuídos em seis reservatórios e já estavam prontos para o abate.

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    O prejuízo ultrapassa 900 mil quilos de peixe, e a perda estimada pelo piscicultor Paulo Michelon chega a R$ 9 milhões. O produtor relatou que vinha enfrentando oscilações no fornecimento de energia desde o início do ano e chegou a acionar a Justiça para obrigar a regularização do serviço.

    A interrupção da energia, de acordo com ele, fez com que os equipamentos de oxigenação parassem, levando rapidamente à morte dos peixes.

    Poucos dias depois, na última terça-feira (3), uma nova ocorrência envolvendo falta de energia resultou na morte de 20 mil frangos em uma granja em São Miguel do Iguaçu, também no oeste do Estado.

    De acordo com a produtora Sandra Bogo ao Globo Rural, o desligamento comprometeu os equipamentos de ventilação do aviário. As aves, com 26 dias de idade e próximas da fase final de criação, não resistiram ao calor dentro do galpão. O prejuízo é estimado em R$ 150 mil. 

    Segundo o Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná (Simepar), a temperatura no momento da ocorrência era de cerca de 35 °C, com sensação térmica próxima de 40 °C. Em ambientes fechados, a falta de ventilação pode ser fatal para as aves em poucos minutos. 

    Posição da Copel

    Em nota citada pela Globo Rural, a Companhia Paranaense de Energia (Copel) informou que o desligamento registrado em São Miguel do Iguaçu foi provocado pelo rompimento de um cabo de energia.

    A empresa afirmou que realizou manobras na rede para restabelecer o fornecimento e que a unidade consumidora mencionada ficou sem energia por 17 minutos, entre 11h16 e 11h33. A companhia também destacou que redes aéreas podem sofrer interferências externas, como contato com vegetação.

    No caso das tilápias, a Copel informou que a ação judicial movida pelo produtor para cobrar providências no fornecimento de energia tramita em segredo de Justiça e que analisará a decisão quando for oficialmente notificada.

    FAEP cobra solução

    Os episódios têm sido acompanhados pelo Sistema FAEP, que afirma receber relatos recorrentes de produtores rurais sobre problemas no fornecimento de energia no campo. 

    “Essas situações de falta de energia e perdas dentro da porteira se tornaram recorrentes no meio rural, com o prejuízo sempre ficando com o produtor rural. Isso é inadmissível. A Copel precisa achar uma solução o quanto antes”, afirmou o presidente da entidade, Ágide Eduardo Meneguette.

    Segundo o dirigente, a entidade continuará cobrando melhorias na prestação do serviço para evitar novas perdas na produção agropecuária. 

    O Sistema FAEP afirma que episódios como os registrados em Tupãssi e São Miguel do Iguaçu não são casos isolados. Segundo a entidade, produtores rurais de diferentes regiões do Paraná têm relatado prejuízos recorrentes provocados por quedas de energia e oscilações na rede elétrica.

    A entidade também aponta que, enquanto os produtores acumulam perdas dentro da porteira, a Copel registrou lucro líquido de R$ 2,66 bilhões em 2025.

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