Javalis avançam no campo e governo inicia levantamento nacional para medir prejuízos
Pesquisa do Mapa busca dimensionar impactos da espécie na agropecuária e orientar políticas de controle no país
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O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) iniciou, na última semana, uma pesquisa nacional para identificar a presença de javalis e dimensionar os prejuízos causados à produção agropecuária.
O levantamento, aberto a produtores rurais e manejadores autorizados, vai até 31 de maio e deve embasar, pela primeira vez com dados consolidados, políticas públicas de controle no país.
A iniciativa ocorre em meio à expansão contínua da espécie no território brasileiro. Os prejuízos são estimados em centenas de milhões de reais, podendo ultrapassar R$ 1 bilhão por ano, segundo divulgado pelo Instituto Pensar Agro.
A ausência de dados nacionais consolidados ainda é o principal entrave para mensurar o impacto e orientar medidas mais efetivas.
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De origem europeia, asiática e do norte da África, o javali (Sus scrofa) é altamente adaptável. Sem predadores naturais relevantes e com elevada taxa reprodutiva — com até três ninhadas por ano e dezenas de filhotes —, a população cresce rapidamente.
Impactos no campo
Os danos começam no plantio, com o consumo de sementes, e seguem ao longo do ciclo, com pisoteio e destruição das plantas. O hábito de escavação compromete a estrutura do solo, aumenta o risco de erosão e afeta a produtividade também nas safras seguintes.
Além das perdas agrícolas, há impactos sobre a pecuária e o meio ambiente. O javali compete com espécies nativas, se alimenta de pequenos animais, degrada áreas de vegetação e pode atuar como vetor de doenças, elevando o risco sanitário nas propriedades.
Desde 2013, o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis classifica o javali como espécie exótica invasora e autoriza o controle por abate por manejadores cadastrados. Na prática, porém, a eficácia é limitada, segundo o Pensar Agro. O comportamento noturno, a inteligência e a alta adaptação dificultam a captura, especialmente em grandes áreas.
Medidas como caça controlada, armadilhas e cercas elétricas são utilizadas, mas enfrentam limitações operacionais e custos elevados, o que restringe a adoção em larga escala.
Para o produtor, o impacto vai além da perda imediata. Áreas invadidas exigem replantio, correção do solo e maior uso de insumos, elevando os custos e comprometendo a rentabilidade por várias safras.
Base para políticas públicas
A expectativa do governo é que os dados coletados até maio identifiquem regiões mais afetadas, sistemas produtivos mais vulneráveis e a intensidade média dos danos.
Os resultados devem sair no segundo semestre e orientar ações coordenadas de controle populacional.
Cartilha técnica reforça alerta
Paralelamente, o Sistema FAEP/SENAR-PR lançou uma cartilha técnica sobre os riscos econômicos, ambientais e sanitários da espécie, elaborada com participação de órgãos como o Ibama, a Agência de Defesa Agropecuária do Paraná e o Exército.
Considerados uma das pragas mais agressivas no país, os javalis causam prejuízos relevantes em lavouras de milho, soja e cana-de-açúcar, reduzem a produtividade e elevam os custos. Na pecuária, o risco sanitário preocupa, especialmente pela possibilidade de transmissão de doenças como a peste suína clássica.
A proliferação também representa ameaça à segurança rural, com registros de acidentes em estradas e conflitos no interior.
Levantamentos indicam que a espécie já ocupa grande parte do território nacional, com maior presença no Sul, Sudeste e Centro-Oeste, impulsionada pela alta reprodução e pelo comportamento em bandos.