Outono começa nesta sexta-feira e muda o clima no Brasil; veja a previsão

    Estação marca transição com menos chuvas no interior, temperaturas acima da média, avanço do ar frio e possível influência do El Niño

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    Outono começa nesta sexta-feira e muda o clima no Brasil; veja a previsão
    19deMarçode2026ás16:50

    O outono começa nesta sexta-feira, dia 20 de março de 2026, às 11h45 (horário de Brasília), e será marcado pela redução das chuvas no interior do Brasil e pela entrada mais frequente de massas de ar frio, especialmente nas regiões Sul e Sudeste.

    A estação se estende até 21 de junho, às 05h25, e representa a transição entre o verão quente e úmido e o inverno frio e seco, principalmente no Brasil central.

    Durante esse período, segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), a tendência é de diminuição das chuvas no interior do país, com maior impacto no semiárido nordestino.

    Já no norte das regiões Norte e Nordeste, ainda são esperados volumes expressivos de precipitação, influenciados pela atividade convectiva tropical e pela atuação da Zona de Convergência Intertropical (ZCIT).

    O avanço de massas de ar frio vindas do sul do continente se torna mais frequente, provocando queda nas temperaturas, sobretudo na Região Sul e em parte do Sudeste.

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    O outono também marca o início de fenômenos típicos da estação, como nevoeiros no Sul, Sudeste e Centro-Oeste; geadas no Sul, Sudeste e Mato Grosso do Sul; possibilidade de neve nas áreas serranas do Sul; e episódios de friagem que podem atingir o sul da Região Norte, além de Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e sul de Goiás.

    Prognóstico climático para abril, maio e junho de 2026

    Região Norte

    A previsão elaborada por INMET, CPTEC-INPE e FUNCEME indica maior probabilidade de chuvas acima da média histórica em grande parte da Região Norte. Em áreas como Amapá, centro-norte de Rondônia, centro-sul do Tocantins e porções do sul do Amazonas e do Pará, os volumes devem ficar próximos da média.

    As temperaturas tendem a permanecer acima do padrão histórico em praticamente toda a região, podendo atingir até 1°C acima da média no sudeste do Pará e oeste do Tocantins.

    Região Nordeste

    No Nordeste, a previsão aponta condições ligeiramente desfavoráveis às chuvas em grande parte da região, com destaque para Bahia, Rio Grande do Norte e Paraíba. Em contrapartida, Maranhão e norte do Piauí podem registrar volumes acima da média, influenciados pela atuação mais ao sul da ZCIT.

    As temperaturas devem permanecer acima da média histórica, embora áreas da costa norte — como norte do Maranhão, Piauí e Ceará — possam registrar condições mais amenas.

    Região Centro-Oeste

    A redução das chuvas a partir de abril marca a transição entre o período chuvoso e a estação seca no Centro-Oeste. A tendência para o outono indica chuvas próximas da média em grande parte de Goiás e Mato Grosso, enquanto Mato Grosso do Sul pode registrar volumes abaixo do normal.

    As temperaturas devem permanecer acima da média histórica em toda a região ao longo do trimestre.

    Região Sudeste

    No Sudeste, a previsão indica predomínio de chuvas abaixo da média em todo o estado de São Paulo e em grande parte de Minas Gerais. Nas demais áreas, a tendência é de volumes próximos à média histórica.

    Ainda assim, episódios de chuvas mais intensas não estão descartados, especialmente no leste da região, devido ao avanço de frentes frias que podem gerar instabilidade.

    As temperaturas devem ficar acima da média climatológica, embora incursões de ar frio possam provocar quedas pontuais, sobretudo em áreas de maior altitude.

    Região Sul

    A Região Sul deve enfrentar um cenário de chuvas abaixo da média ao longo do outono, com desvios mais acentuados no Paraná e em Santa Catarina.

    As temperaturas tendem a permanecer acima da média histórica, com maior aquecimento previsto para Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Mesmo assim, episódios de ar frio podem ocorrer e provocar quedas de temperatura, principalmente em áreas mais elevadas.

    Impactos nas lavouras

    A possível transição de neutralidade para um cenário de aquecimento das águas do Pacífico equatorial — com indicativo de evolução para El Niño ao longo do trimestre — exige atenção quanto aos impactos no campo. Ainda assim, o clima no Brasil é influenciado por diversos fatores, o que demanda cautela na avaliação das previsões.

    Na Região Norte, a expectativa de chuvas acima da média tende a favorecer o desenvolvimento das lavouras já estabelecidas, como o milho segunda safra, além de contribuir para a manutenção das pastagens.

    No Matopiba — que engloba áreas do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia — o cenário é mais desafiador. A combinação de chuvas abaixo da média e temperaturas elevadas, especialmente no oeste da Bahia, pode reduzir a umidade do solo devido ao aumento da evapotranspiração, afetando culturas como milho e algodão.

    Nas regiões Centro-Oeste e Sudeste, a tendência de menor volume de chuvas associada ao calor pode impactar lavouras de segunda safra, sobretudo em fases reprodutivas.

    A redução da umidade no solo aumenta o risco de estresse hídrico e pode comprometer o potencial produtivo, especialmente em áreas com menor capacidade de retenção de água.

    Já na Região Sul, o cenário de chuvas abaixo da média combinado a temperaturas elevadas tende a reduzir os níveis de água no solo, principalmente no Paraná e em Santa Catarina.

    Esse quadro pode prejudicar o desenvolvimento das lavouras de segunda safra, além de dificultar o estabelecimento inicial das culturas de inverno e atrasar operações de semeadura em algumas áreas.

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