Preços do boi se sustentam com oferta limitada e exportações em alta

    Mercado segue firme com escalas curtas nos frigoríficos, enquanto ritmo acelerado de embarques à China pode mudar o cenário no segundo semestre

    Por |
    Preços do boi se sustentam com oferta limitada e exportações em alta
    27deMarçode2026ás13:43

    O mercado físico do boi gordo apresentou preços de estáveis a mais altos para a arroba ao longo da semana, sustentado por uma oferta ainda restrita de animais prontos para abate.

    Esse cenário tem mantido as escalas de abate encurtadas nos frigoríficos, segundo o analista da Safras & Mercado, Fernando Iglesias.

    Outro fator de suporte aos preços é o forte ritmo de exportações de carne bovina para a China. De acordo com Iglesias, a manutenção das cotas impostas pelo país asiático tem acelerado os embarques.

    “Assim, tanto os importadores chineses quanto os exportadores brasileiros estão correndo para pegar a maior parcela possível da cota imposta pelo país asiático na última virada de ano”, pontua.

    O analista alerta, no entanto, para um possível efeito reverso nos próximos meses. Caso o ritmo atual seja mantido, a cota brasileira pode se esgotar entre maio e julho.

    “Isso pode vir a esvaziar as exportações no terceiro trimestre, causando uma forte derrubada nos preços da arroba, justamente em um período importante de entrada de animais provenientes dos confinamentos”, afirma.

    Preços da arroba nas principais praças

    Na modalidade a prazo, os preços do boi gordo em 26 de março foram os seguintes:

    • São Paulo (Capital) – R$ 355,00 a arroba, estável em relação aos valores praticados no final da semana passada.

    • Goiás (Goiânia) – R$ 340,00 a arroba, inalterado frente ao encerramento da semana passada.

    • Minas Gerais (Uberaba) – R$ 340,00 a arroba, sem mudanças ante o fechamento da semana anterior.

    • Mato Grosso do Sul (Dourados) – R$ 345,00 a arroba, avanço de 1,47% ante os R$ 340,00 praticados no final da semana passada.

    • Mato Grosso (Cuiabá) – R$ 350,00 a arroba, aumento de 2,94% frente aos R$ 340,00 praticados na semana passada.

    • Rondônia (Vilhena) – R$ 315,00 a arroba, alta de 1,61% perante os R$ 310,00 registrados no final da semana passada.

    Atacado tem reação, mas consumo segue fraco

    No mercado atacadista, os preços apresentaram reação ao longo da semana, mas a expectativa é de escoamento mais lento no curto prazo entre atacado e varejo, diante do consumo enfraquecido.

    A proteína bovina continua pressionada pela concorrência de alternativas mais baratas. A demanda por carne de frango segue aquecida e deve permanecer assim ao longo do ano, favorecendo também o consumo de ovos e embutidos.

    “Isso se explica pelos preços da carne bovina cada vez mais proibitivos para grande parcela da população”, comenta Iglesias.

    Entre os cortes, o quarto do dianteiro foi cotado a R$ 21,00/kg, alta de 2,44% frente aos R$ 20,50/kg da semana anterior. Já o traseiro bovino foi negociado a R$ 27,30/kg, avanço de 1,11% em relação aos R$ 27,00/kg registrados anteriormente.

    Exportações mantêm ritmo forte em março

    As exportações brasileiras de carne bovina fresca, congelada ou refrigerada somaram US$ 966,208 milhões em março até o momento (15 dias úteis), com média diária de US$ 64,413 milhões.

    O volume embarcado alcançou 167,061 mil toneladas, com média diária de 11,137 mil toneladas. O preço médio da tonelada ficou em US$ 5.783,50.

    Na comparação com março de 2025, houve alta de 16% no valor médio diário exportado, recuo de 1,7% no volume médio diário e avanço de 18% no preço médio. Os dados são da Secretaria de Comércio Exterior.

     

    Temas nesta notícia