Às vésperas do centenário, Baldan prepara nova fase de expansão

    Empresa de máquinas e implementos agrícolas de Matão (SP) aposta em diversificação, portfólio e presença internacional para sustentar crescimento

    “Somos guiados por um planejamento estratégico com visão de cinco anos.", diz Fernando Capra, CEO da empresa.

    “Somos guiados por um planejamento estratégico com visão de cinco anos.", diz Fernando Capra, CEO da empresa.

    17deAbrilde2026ás08:13

    Às vésperas de completar um século de atuação, a Baldan, com seus 98 anos, ajusta sua estratégia para atravessar um momento mais travado no mercado de máquinas agrícolas e preparar o próximo ciclo de crescimento.

    Após já ter atingido faturamento de R$ 1,2 bilhão no pico recente, a companhia hoje opera na casa dos R$ 800 milhões (faturamento de 2025) e trabalha para retomar o patamar bilionário.

    O cenário atual, marcado por juros elevados e crédito mais restrito, tem freado o investimento no campo.

    “O produtor está inibido. Porque o momento tem proibido o produtor de fazer algum tipo de investimento”, afirmou Fernando Capra, CEO da empresa, lembrando dos jutos altos, crédito mais caro e momento geopolítico tenso e incerto.

    Mesmo diante desse cenário, a empresa mantém um plano estruturado de crescimento.

    “Somos guiados por um planejamento estratégico com visão de cinco anos. Esse plano define onde vamos atuar, como e com quais produtos”, disse o executivo, que sinalizou a possibilidade de entrada em novos segmentos e mirando novos mercados.

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    Fernando Capra, CEO da Baldan, durante apresentação sobre estratégia de expansão da empresa no agronegócio

    Norte entra no radar com novo centro de distribuição

    Um dos movimentos mais concretos em estudo é a expansão da rede de distribuição de peças. Hoje, a Baldan opera três centros em Matão (SP), Maringá (PR) e Goiânia (GO), com mais de 1.900 itens disponíveis para pronta entrega e logística que permite entregas entre 12 e 24 horas em todo o país.

    Dentro desse planejamento que a Baldan traça até 2030, a empresa avalia avançar para o Norte, com foco na região do Matopiba, que reúne áreas do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia.

    A estratégia mira reduzir o tempo de parada de máquinas no campo e acompanhar a expansão da agricultura fora do eixo tradicional.

    Expansão passa por portfólio e quatro verticais

    A estratégia da companhia está ancorada na ampliação da oferta de produtos e na atuação disciplinada dentro das áreas já consolidadas.

    “Todo o nosso crescimento se dará nas quatro verticais. Não à toa, nós nos organizamos dessa maneira”, afirmou Capra, ao citar preparo de solo, plantio, pulverização e peças — áreas que formam a base da atuação da companhia.

    Mais do que expansão geográfica, o foco está no aumento da gama de soluções.

    “O que move isso, no nosso caso como fabricante, é o aumento do portfólio e atuar cada vez mais com maior gama de produtos e mercados”, disse.

    Essa diversificação também funciona como um mecanismo de proteção em momentos de mercado mais desafiadores. Segundo Capra, linhas de menor valor agregado, como equipamentos ligados ao preparo de solo, tendem a manter a demanda mesmo em ciclos de crédito mais restrito, ajudando a sustentar a receita da companhia.

    Segundo o executivo, essa estrutura permite à empresa equilibrar melhor os ciclos do agro.

    “A característica da Baldan em atuar em quatro caixas similares, mas distintas, com dinâmicas diferentes, nos dá essa resiliência.”

    Nova fábrica?

    A expansão industrial também está no horizonte, mas ainda sem definição. A avaliação é de que o crescimento da demanda pode pressionar a capacidade produtiva nos próximos anos.

    “Isso mostra que alguns segmentos, com esse crescimento e a importância da agricultura brasileira, nós vamos chegar em algum desses produtos onde a nossa capacidade de fabricação vai chegar no limite e, portanto, permite aspirar uma nova unidade”, afirmou.

    A decisão, segundo ele, dependerá de uma combinação de fatores, como a proximidade da matéria-prima — especialmente o aço —, o acesso aos principais mercados consumidores, a malha logística e até políticas de incentivo regionais.

    “No Brasil as coisas dependem”, resumiu.

    Exportações ganham protagonismo

    Com o mercado interno pressionado, a operação internacional ganhou ainda mais peso na estratégia. Hoje, até 25% da receita da companhia vem do exterior, com presença em mais de 60 países.

    “No nosso caso, ele aumentou 12%. Mas o que para nós é muito relevante é o mix que é exportado. Nós crescemos muito em volume”, disse Capra.

    O foco está no cinturão tropical, onde as condições agrícolas favorecem a adaptação dos equipamentos brasileiros.

    África surge como próxima fronteira

    Entre os mercados com maior potencial, a África aparece como aposta clara no planejamento de longo prazo. “A África é um continente fascinante. É uma agricultura predominantemente tropical, muito parecida com a nossa.”

    Segundo ele, a similaridade climática, com predominância de agricultura tropical, e o avanço da mecanização tornam o continente um ambiente natural para expansão.

    Apesar de mirar a retomada do faturamento bilionário, a Baldan evita cravar prazos em um cenário ainda incerto.

    “A agricultura no Brasil cresce, a área expande. O produtor brasileiro tem uma característica muito interessante, porque ele é expansionista, ele gosta do que ele faz”, disse.

    Ao mesmo tempo, reconhece as limitações do momento. “É só esperar o momento certo agora, porque às vezes o mundo atrapalha um pouco.”

    Questionado sobre a possibilidade de voltar ao patamar de R$ 1 bilhão no centenário, em 2028, Capra respondeu com bom humor.

    “Tem que combinar com os russos. Ou talvez com o Trump”.

    *O jornalista viajou a convite da Baldan

     

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