Fundo Garantidor: o que governo ainda negocia para destravar pacote ao agro

    Equipe econômica discute regras de acesso, impacto fiscal e condições ampliadas para renegociação das dívidas rurais

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    Fundo Garantidor: o que governo ainda negocia para destravar pacote ao agro
    21deMaiode2026ás12:34

    A equipe econômica avançou nas negociações sobre um novo pacote de socorro ao agronegócio e agora discute os critérios finais para viabilizar a renegociação das dívidas rurais, além da estrutura do fundo garantidor voltado ao setor.

    A sinalização foi feita nesta quarta-feira (20) pelo ministro da Fazenda, Dario Durigan, após reunião com senadores, deputados e representantes de movimentos agrícolas para tratar do projeto que busca aliviar o endividamento dos produtores afetados por perdas climáticas e dificuldades financeiras.

    “A gente já sinaliza que a gente vai trabalhar nisso. A ideia é que nos próximos dias a gente tenha um texto final”, afirmou Durigan em coletiva no Ministério da Fazenda.

    O debate agora entra em uma fase mais prática, com governo e Congresso tentando fechar os parâmetros de acesso às medidas e recalcular os impactos fiscais da proposta.

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    O principal eixo do projeto é a criação de uma linha especial de crédito para renegociar passivos rurais utilizando recursos do Fundo Social do Pré-Sal e de outros fundos supervisionados pela Fazenda.

    Após negociação com parlamentares, o governo concordou em ampliar as condições inicialmente previstas. O texto passou a prever prazo de até dez anos para pagamento das dívidas e carência de dois anos para o início da quitação.

    Antes, a proposta da equipe econômica trabalhava com carência de um ano e prazo máximo de seis anos para pagamento.

    “O debate agora é sobre os melhores critérios de enquadramento. Um dos critérios da Fazenda é que seja identificada perda real por parte do agricultor”, disse o ministro.

    Fundo garantidor entra na reta final de discussão

    Além da renegociação das dívidas, o governo também discute a criação de um fundo garantidor para o agronegócio, tratado internamente como uma alternativa para reduzir os riscos financeiros provocados por eventos climáticos extremos.

    Segundo Durigan, o mecanismo deverá contar com participação da União, das instituições financeiras e também dos produtores rurais.

    A proposta vem sendo desenhada nos moldes do Fundo Garantidor de Crédito (FGC), embora com uma diferença importante: a presença de recursos públicos na composição do fundo.

    Fazenda tenta restringir acesso

    A equipe econômica quer limitar o acesso aos programas de renegociação a produtores que comprovem perdas efetivas causadas por eventos climáticos ou crises econômicas.

    A preocupação do governo é evitar que a medida se transforme em uma renegociação ampla e sem critérios, o que poderia ampliar ainda mais o impacto fiscal da proposta.

    O relator do projeto no Senado, Renan Calheiros, afirmou que o endividamento rural deixou de ser um problema pontual.

    “O endividamento rural hoje é uma questão estrutural da economia agrícola brasileira. Precisamos preservar a produção, o abastecimento e os empregos do setor”, declarou o senador após a reunião.

    A senadora Tereza Cristina também participou das negociações.

    Impacto fiscal ainda trava avanço

    Apesar do apoio da bancada ruralista, o tamanho do impacto fiscal segue como principal ponto de tensão dentro da equipe econômica.

    Estimativas em discussão no Congresso apontam que o estoque de dívidas rurais envolvidas pode chegar a cerca de R$ 180 bilhões. A proposta prevê uso de até R$ 30 bilhões do Fundo Social do Pré-Sal, além de outras fontes públicas.

    A votação do texto na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado acabou adiada após o Ministério da Fazenda pedir mais tempo para negociação dos pontos considerados mais sensíveis.

    Após a reunião desta quarta-feira, Renan Calheiros e Tereza Cristina afirmaram que os cálculos sobre o impacto fiscal serão refeitos antes do avanço da proposta.

     

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