O que esperar do clima em junho? Inmet alerta para calor e risco no agro

    Previsão indica temperaturas acima da média, chuva irregular e preocupação com milho, pastagens e culturas de inverno em várias regiões do país

    Por |
    O que esperar do clima em junho? Inmet alerta para calor e risco no agro
    29deMaiode2026ás17:07

    Junho deve ser marcado por calor acima da média em grande parte do Brasil, chuva irregular e impactos sobre culturas agrícolas como milho, citrus e trigo.

    A previsão climática do  Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) indica acumulados acima da média em áreas das regiões Norte, Nordeste e Sul, enquanto parte do Sudeste e do Centro-Sul deve enfrentar redução das chuvas e avanço do período seco.

    >> SIGA O CANAL DO AGROFY NEWS NO WHATSAPP

    >> ENCONTRE PRODUTOS E SOLUÇÕES PARA O AGRO NO AGROFY MARKET

    As temperaturas também devem permanecer elevadas em praticamente todo o país, principalmente na faixa central do território brasileiro.

    Norte terá excesso de chuva em parte da região

    No Norte, os maiores volumes de chuva são esperados em praticamente todo o Pará, sudoeste e centro-leste do Amazonas, centro-sul de Roraima e Amapá. Já o extremo noroeste do Pará e áreas de Roraima devem registrar precipitações abaixo da média histórica.

    As temperaturas devem ficar cerca de 1°C acima da média em grande parte da região.

    Segundo o Inmet, o cenário tende a favorecer a manutenção da umidade do solo e beneficiar áreas de milho segunda safra ainda em enchimento de grãos, especialmente no nordeste do Pará, Amapá e sul do Amazonas. Por outro lado, o excesso de umidade pode aumentar a pressão de doenças fúngicas, dificultar a colheita e elevar o risco de perdas por acamamento.

    No norte de Roraima, a combinação entre chuvas abaixo da média e calor elevado pode prejudicar lavouras recém-implantadas de soja e milho, principalmente em solos com baixa retenção de água.

    Nordeste terá calor e chuva acima da média em parte da região

    O Nordeste deve registrar chuva acima da média no norte do Maranhão e do Piauí, além de áreas de Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco e Alagoas. Nas demais áreas, os volumes devem ficar próximos da climatologia.

    As temperaturas devem permanecer até 1°C acima da média em grande parte do MATOPIBA e nos estados de Pernambuco, Alagoas e Sergipe.

    O cenário favorece o desenvolvimento do milho segunda safra no noroeste do Maranhão e o avanço da semeadura de feijão e milho terceira safra na região do SEALBA. A manutenção da umidade do solo também beneficia a fruticultura no litoral, reduzindo a necessidade de irrigação.

    Já no interior da região, especialmente no MATOPIBA, o calor mais intenso aumenta a demanda evapotranspirativa e pode reduzir o potencial produtivo do milho semeado mais tardiamente. As pastagens também devem perder vigor com o avanço do período seco.

    Centro-Oeste enfrenta risco maior de déficit hídrico

    No Centro-Oeste, a previsão indica baixos acumulados de chuva em grande parte da região, com precipitações abaixo da média em áreas do sudoeste de Mato Grosso do Sul.

    As temperaturas devem ficar até 1,5°C acima da média em partes de Goiás, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul.

    De acordo com o Inmet, o cenário aumenta o risco de déficit hídrico e preocupa principalmente as lavouras de milho segunda safra. O atraso no plantio provocado pelas chuvas frequentes no início do ano elevou a exposição das lavouras ao período mais seco de junho.

    A pecuária também pode ser impactada pela redução gradual da umidade do solo e pela perda de qualidade das pastagens.

    Sudeste deve ter calor persistente e menos chuva

    No Sudeste, a previsão aponta chuva abaixo da média no sul de Minas Gerais e em grande parte de São Paulo. Nas demais áreas, os volumes devem ficar próximos do padrão histórico.

    As temperaturas devem permanecer acima da média em todos os estados, com desvios de até 1,5°C no norte mineiro e no oeste paulista.

    O calor mais intenso deve aumentar a perda de água do solo e elevar o risco de deficiência hídrica nas culturas agrícolas. O milho segunda safra pode ser um dos mais afetados, principalmente devido ao atraso na semeadura.

    As lavouras de citrus, em fase de desenvolvimento e enchimento dos frutos, podem registrar redução no crescimento. Já culturas de hortifruti tendem a acelerar o desenvolvimento diante das temperaturas mais altas.

    Sul terá excesso de chuva no Rio Grande do Sul

    Na Região Sul, o destaque é o Rio Grande do Sul, onde a previsão indica chuva acima da média em praticamente todo o estado. Já grande parte do Paraná e o nordeste de Santa Catarina devem registrar volumes dentro da normalidade ou abaixo da média.

    As temperaturas devem permanecer até 1°C acima da média nos três estados da região, com desvios maiores no norte do Paraná e oeste catarinense.

    O Inmet alerta para preocupação com as lavouras de milho no Paraná, principalmente nas áreas onde a semeadura foi mais tardia e o período crítico da cultura coincide com o fim de maio e junho.

    Por outro lado, as condições devem favorecer culturas de inverno, como trigo e aveia. No Rio Grande do Sul, a maior disponibilidade hídrica tende a acelerar o desenvolvimento das lavouras, embora o excesso de chuva e a nebulosidade possam dificultar o manejo em áreas de arroz irrigado, especialmente na metade sul do estado.

    O cenário climático de junho reforça a atenção do setor agropecuário para o avanço do período seco no Centro-Sul do país e para os riscos sobre culturas em fases decisivas de desenvolvimento, principalmente milho segunda safra, citrus e pastagens.

    Temas nesta notícia