A última bola do agro: como o couro bovino saiu da Copa do Mundo e deu lugar aos sensores eletrônicos

    A Tango España, utilizada no Mundial de 1982, foi a última produzida com couro natural; quatro décadas depois, a tecnologia ganhou espaço

    A Trionda, nome da pelota desse Mundial, conta com um chip capaz de registrar movimentos em alta frequência e compartilhar dados com os sistemas eletrônicos utilizados pela arbitragem.

    A Trionda, nome da pelota desse Mundial, conta com um chip capaz de registrar movimentos em alta frequência e compartilhar dados com os sistemas eletrônicos utilizados pela arbitragem.

    05deJunhode2026ás16:16

    Quando a Itália conquistou a Copa do Mundo de 1982, aquela de difícil lembrança para a seleção brasileira, na Espanha, uma despedida histórica também aconteceu dentro de campo. A Tango España, bola oficial daquele Mundial, é considerada a última bola de Copa produzida com couro natural.

    Quarenta e quatro anos depois,  a realidade é outra. A Trionda, desenvolvida para a Copa do Mundo de 2026, disputada nos Estados Unidos, México e Canadá, incorpora sensores capazes de fornecer dados utilizados pelos sistemas eletrônicos de arbitragem.

    Entre um modelo e outro está uma transformação que acompanhou não apenas a evolução do futebol, mas também a mudança dos materiais utilizados na fabricação de um dos principais símbolos do esporte.

    A relação entre a bola e o campo, porém, começou muito antes. Registros históricos apontam que jogos praticados na Europa medieval utilizavam bexigas de porco infladas, muitas vezes revestidas com couro. Séculos depois, o couro bovino se tornaria o material predominante nas bolas que chegariam aos gramados das Copas do Mundo.

    Da bexiga de porco ao couro bovino

    Durante décadas, o couro bovino esteve presente nas bolas utilizadas em competições profissionais ao redor do mundo. Nas primeiras edições da Copa do Mundo, os modelos eram formados por painéis costurados manualmente e tinham no couro uma de suas principais características.

    O material, no entanto, apresentava limitações. Em partidas disputadas sob chuva, as bolas absorviam água, ganhavam peso e alteravam seu comportamento ao longo do jogo. O problema acompanhou gerações de atletas e se tornou um dos principais desafios para os fabricantes. ultima-bola-agro-couro-copa-do-mundo-sensores-eletronicos

    A Copa de 1982 marcou o último capítulo dessa história. Produzida pela Adidas, a Tango España ainda utilizava couro natural, mas já trazia avanços para reduzir a absorção de umidade, como uma camada de revestimento sintético aplicada sobre a superfície.

    Quatro anos depois...

    A mudança definitiva veio quatro anos depois. Na Copa do México, em 1986, a Azteca tornou-se a primeira bola oficial de um Mundial produzida integralmente com materiais sintéticos. Naquele Mundial, a Argentina faturou o título.

    A substituição do couro eliminou os problemas causados pela absorção de água e abriu caminho para uma sequência de inovações que transformariam o produto nas décadas seguintes.

    Desde então, as bolas passaram a incorporar estudos de aerodinâmica, novos formatos de painéis e tecnologias voltadas à estabilidade em voo. A evolução ganhou velocidade com o avanço dos materiais sintéticos e dos processos industriais.

    Na Copa do Mundo de 2022, no Catar, a Al Rihla estreou um sensor interno capaz de fornecer informações aos sistemas de arbitragem. A tecnologia foi utilizada para auxiliar o impedimento semiautomático e o monitoramento da trajetória da bola durante as partidas.

    O recurso avançou para a Copa de 2026. A Trionda, nome da pelota desse Mundial, conta com um chip capaz de registrar movimentos em alta frequência e compartilhar dados com os sistemas eletrônicos utilizados pela arbitragem. A estrutura também foi redesenhada para oferecer maior estabilidade e controle durante o jogo.

    A distância entre a Tango España e a Trionda ajuda a dimensionar a transformação ocorrida em pouco mais de quatro décadas. Se em 1982 a preocupação era evitar que o couro absorvesse água, em 2026 o foco está na integração entre a bola e os sistemas digitais que cercam o futebol moderno. Resta saber se a nova bola, dará sorte para a seleção brasileira.

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