O amor os levou de volta às raízes: casal assume produção de queijo artesanal centenária em Minas
Após a chegada da primeira filha, Tereza Rodrigues e Matheus Brandão retornaram ao interior para dar continuidade ao legado familiar
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Há cerca de um século, os queijos produzidos na Fazenda Saudade, em Ibertioga, no Campo das Vertentes, percorriam quilômetros a cavalo até chegar ao Rio de Janeiro.
A tradição começou com João Miranda, avô da jornalista Tereza Rodrigues, que transformava leite cru, pingo, coalho e sal em um dos símbolos da gastronomia mineira: o Queijo Minas Artesanal.
Décadas depois, essa história ganhou um novo capítulo. Em 2018, Tereza e o marido, Matheus Brandão, deixaram Brasília para assumir a missão de preservar o legado da família e dar continuidade à produção artesanal na propriedade rural.
Até então, os planos do casal seguiam outro caminho. Em 2017, vivendo na capital federal, eles imaginavam um futuro distante da rotina do campo. A chegada da primeira filha, porém, mudou os rumos da família.
“Em 2018, quando eu fiquei grávida, a gente resolveu vir para cá, voltar às raízes e começar a fazer Queijo Minas Artesanal também”, lembra Tereza.
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A decisão representou mais do que uma mudança de endereço. Foi um retorno às origens e, ao mesmo tempo, o desafio de adaptar uma tradição centenária às exigências atuais sem perder sua identidade.
Hoje, a Fazenda Saudade conta com 230 vacas em lactação e uma nova queijaria, construída para atender às normas sanitárias e proporcionar melhores condições de produção. Maturados por mais de 22 dias em tábuas de cedro, os queijos desenvolvem massa macia e notas que remetem ao amendoim, características que ajudam a contar a história do território e da família que os produz.
Tradição e qualidade lado a lado
O trabalho desenvolvido pelo casal ganhou reforço com a assistência técnica da Emater-MG. A orientação da equipe contribuiu para a implantação de Boas Práticas de Ordenha e Boas Práticas de Fabricação, fortalecendo a segurança alimentar e o controle dos processos produtivos.
A combinação entre conhecimento técnico e saberes transmitidos entre gerações ajudou a Fazenda Saudade a conquistar reconhecimento em concursos nacionais e outras premiações importantes.
“A Fazenda Saudade produz um Queijo Minas Artesanal premiado em concursos de qualidade. O casal é preocupado com a qualidade final do produto, mantendo os cuidados em cada detalhe”, destaca Mayara Jarochinski, extensionista de Bem-estar Social da empresa.
Segundo ela, a Emater-MG acompanhou todo o processo de implantação e legalização da queijaria, além de incentivar a comercialização por meio da participação em feiras, eventos, capacitações e concursos de qualidade.
Do campo para o consumidor
Além da produção, o casal também precisou enfrentar outro desafio comum aos pequenos produtores: chegar ao consumidor final. Para ampliar a comercialização, a Fazenda Saudade passou a integrar o site ÉdoCampo, plataforma de vendas online da Emater-MG voltada aos produtos do meio rural.
“Eu acho que a plataforma veio para diminuir esse espaço entre o produtor e o consumidor. Uma das grandes dificuldades hoje é você chegar até o consumidor final. A plataforma ajuda a encurtar esse espaço”, afirma Matheus.
Entre a lembrança dos queijos transportados a cavalo e as oportunidades abertas pelo mercado digital, a trajetória de Tereza e Matheus mostra como sucessão familiar, inovação e parceria podem caminhar juntas. Neste Dia dos Namorados, a história do casal também revela que o amor ajudou a manter viva uma tradição que atravessa gerações no interior de Minas Gerais.