Galã da novela A Viagem se dedica ao agro e cria gado Nelore e cavalos em Minas Gerais
Ator concilia carreira artística com a rotina no campo e aposta na criação de animais de elite
Por |
Maurício Mattar, lembrado por milhões de brasileiros como o galã Téo da novela A Viagem (1994), vive atualmente uma rotina distante dos estúdios de televisão.
O ator e cantor, de 61 anos, se dedica ao agronegócio no interior de Minas Gerais, onde administra o Haras Kirk, propriedade que leva o sobrenome herdado do pai.
Com uma carreira marcada por novelas icônicas como Roque Santeiro, Pedra Sobre Pedra e A Viagem, além de discos lançados como cantor, Mattar decidiu escrever um novo capítulo de sua trajetória.
Nos últimos anos, transferiu o protagonismo da ficção para a vida no campo, apostando na criação de cavalos da raça Mangalarga Marchador e de gado Nelore.
“Para fazer alguma coisa na vida, a gente tem que fazer aquilo por que a gente tem amor, tem paixão. E aí veio a história do cavalo e logo depois veio a história do Nelore”, declarou o ator em entrevista ao jornal O Globo, concedida em maio.
View this post on Instagram
Paixão e genética no rebanho
Mais do que um hobby, a pecuária virou projeto de vida. Mattar conta que passou a estudar, pesquisar e buscar referências no setor. Hoje, administra um rebanho selecionado, com foco na genética.
“Comecei a entender, pesquisar, estudar. Hoje eu tenho uma boa cabeçadinha, estou primando pela genética e buscando as pessoas que eu vejo que têm o mesmo diapasão, a mesma linha de raciocínio que eu busco para mim”, afirmou ao O Globo.
No Haras Kirk, os cavalos e o gado são tratados como protagonistas. A criação de Nelore, incluindo animais de pelagem diferenciada, reforça o cuidado com linhagens e o padrão de excelência buscado pelo ator.

Entre reprises e novas escolhas
Apesar da mudança de rumo, Mattar segue presente no imaginário do público. A Viagem, uma de suas novelas mais marcantes, voltou a ser reprisada na Rede Globo, reacendendo a lembrança de sua trajetória artística. Além disso, o ator ainda se apresenta como cantor em shows pontuais.
Hoje, no entanto, é no campo que ele encontra sua principal realização.

Personagens que já apontavam para o agro
Curiosamente, a ligação de Mattar com o universo rural não começou apenas no campo. Na ficção, ele interpretou João Ligeiro em Roque Santeiro (1985) — irmão de Roque (José Wilker) por parte de pai e filho de Beato Salu (Nelson Dantas). Desde cedo, o personagem aprendeu a montar e manejar o laço, o que lhe valeu o apelido. Criado na fazenda de Sinhozinho Malta (Lima Duarte), trabalhava como empregado do poderoso fazendeiro.
Além disso, Mattar também participou de Selva de Pedra (1986), trama em que mais uma vez transitava por um enredo com fortes referências ao Brasil profundo.
Papéis que, de certa forma, já prenunciavam a afinidade do ator com o campo que hoje escolheu para viver fora da ficção.