Tarifa dos EUA pode gerar perdas de até US$ 100 milhões às exportações de tabaco
SindiTabaco e Abifumo pedem apoio do MDIC para incluir o tabaco na lista de exceções dos Estados Unidos
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Foto: Felipe Krause/Pixel18dezoito
O Sindicato Interestadual da Indústria do Tabaco (SindiTabaco) e a Associação Brasileira da Indústria do Fumo (Abifumo) encaminharam, na sexta-feira (24), uma carta ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), solicitando que o governo brasileiro atue para incluir o tabaco na lista de exceções à tarifa adicional imposta pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros.
O documento foi enviado após audiência realizada em 22 de julho, quando representantes do setor apresentaram ao ministro Geraldo Alckmin e à equipe técnica da pasta os impactos da medida e propostas para mitigá-los.
As entidades também ressaltam que, historicamente, os Estados Unidos figuraram como o terceiro principal destino das exportações brasileiras de tabaco, respondendo por cerca de 9% dos embarques do setor. Em 2025, porém, essa participação recuou para 6%.

Exportações já registram queda
De acordo com dados do MDIC/Secex apresentados no documento, as exportações brasileiras de tabaco para o mercado norte-americano totalizaram US$ 195,3 milhões em 2025, uma retração de 23,4% em relação ao ano anterior.
No primeiro semestre de 2026, os embarques somaram US$ 88,8 milhões, queda de 31% na comparação com o mesmo período de 2025.
A carta destaca ainda que outros produtos do agronegócio brasileiro, como carne bovina, café, laranja, mel orgânico, castanhas e celulose, foram incluídos na lista de exceções à tarifa adicional anunciada pelos Estados Unidos.
O tabaco, entretanto, permaneceu sujeito à sobretaxa, o que, segundo o setor, coloca o produto brasileiro em desvantagem competitiva frente aos principais concorrentes internacionais.
Setor teme perda de mercado
De acordo com o documento, caso a tarifa seja mantida, compradores norte-americanos deverão buscar fornecedores de outras origens, principalmente Zimbábue e Malaui, que vêm ampliando significativamente a produção de tabaco.
A estimativa do setor é de que o Brasil possa perder aproximadamente US$ 100 milhões em exportações.
A maior preocupação recai sobre o tabaco Burley, cuja comercialização internacional é fortemente concentrada no mercado norte-americano e conta com poucas alternativas de destino.
A redução da demanda poderá provocar queda na produção nacional dessa variedade, afetando diretamente centenas de pequenos produtores rurais que dependem da cultura como principal fonte de renda.
Além dos impactos sobre a produção e o emprego, as entidades alertam que a redução da atividade econômica também deve comprometer a arrecadação dos municípios produtores, tanto pela desaceleração da economia local quanto pela diminuição da receita tributária, reduzindo a capacidade de investimento em regiões fortemente dependentes da cadeia produtiva do tabaco.
Pedido ao governo brasileiro
No ofício, SindiTabaco e Abifumo solicitam formalmente a inclusão de todo o Capítulo 24 da Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM), que abrange o tabaco e seus derivados, na lista de exceções à tarifa adicional dos Estados Unidos.
Por fim, as entidades afirmam permanecer à disposição do governo federal para contribuir tecnicamente na busca por uma solução que preserve a competitividade das exportações brasileiras e minimize os impactos econômicos e sociais da medida.