Bons ventos podem soprar para o agro em 2022

Entidades estão otimistas sobre o crescimento e valorização do setor neste ano

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Bons ventos podem soprar para o agro em 2022
11deJaneirode2022ás16:00

Para um ano que promete ser de economia em recessão ou, no melhor dos mundos, de estagnação, com uma projeção de crescimento de 0,5% no PIB brasileiro, 2022 tem tudo para ser um período de retomada para o agro no país. Isso é um alento para o setor.

A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) divulgou suas projeções para o próximo ano, e, segundo a entidade, a produção no campo deverá caminhar por um período de boa valorização. Claro que não com todo ímpeto de 2021, mas o que os analistas da entidade preveem é um ano com desempenho positivo.

O crescimento esperado do PIB do Agronegócio e da Agropecuária é de 5% e 2,4%, respectivamente. Em 2021, o crescimento estimado é de 9,4% para o PIB do Agronegócio e 1,8% para o PIB da Agropecuária. A diferença básica entre essas duas pesquisas, uma feita pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), de Piracicaba (SP), e a outra pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), é que a do Cepea, além de levar em conta a produção no campo, também inclui a movimentação financeira dos insumos e serviços relacionados à produção no campo.

Já o Valor Bruto da Produção (VBP) tem uma projeção de crescer 4,2% no próximo ano, impulsionado especialmente pela safra de grãos. Esse indicador do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) é uma projeção de faturamento da produção agropecuária com base na produção estimada e em preços correntes das commodities.

Uma excelente safra

Se na temporada de grãos 2020/2021 o Brasil registrou uma queda 2,1%, colhendo 252,4 milhões de toneladas, o fechamento da colheita pode ter tudo para ser diferente, retomando o ritmo de safras recordes, cada vez mais próximo dos 300 milhões de toneladas.

A estimativa para 2022 é de 289,8 milhões de toneladas – podendo chegar a 291,07 milhões de toneladas –, o que pode significar 14,7% sobre a safra anterior, além de ser o mais novo marco histórico de produção de grãos no Brasil. Até então, a maior colheita já averiguada no país foi a da safra 2019/2020, com 257,02 milhões de toneladas, segundo a Companhia Nacional de Abastecimento.

Grande parte desse crescimento se deve às lavouras de milho, algodão e café. O milho, por exemplo, deixaria para trás uma safra de 87 milhões de toneladas em 2020/2021 para 116,7 milhões de toneladas na temporada 2021/2022.

A soja deve continuar no pedestal – como sempre – como a principal lavoura brasileira e do mundo, podendo reunir um volume colhido de 142,79 milhões de toneladas. Os analistas do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA, na sigla em inglês), até estimam mais do que isso: 144 milhões de toneladas, o que levaria a safra brasileira a responder por 37,72% da soja a ser colhida no próximo ano, muito à frente da safra americana, estimada em 120,43 milhões de toneladas.

A força da carne

O ano de 2022 também pode marcar a volta de bons ventos para a pecuária de corte brasileira, com uma projeção de 9,7 milhões de toneladas de carne bovina. O incremento é estimado em 2,1% sobre 2021. O dado também vem da equipe de analistas do USDA.

Apesar disso, é a produção americana que deve tomar a vantagem, em termos de volumes, atingindo uma produção de 12,31 milhões de toneladas. A Argentina deve produzir 3,02 milhões de toneladas e a Austrália, 2,07 milhões de toneladas.

Mas há algo para se preocupar em 2022?

O mercado é dinâmico, assim como são alguns fatores que vêm acompanhando a produção do campo. Por isso, algumas preocupações de 2021 devem continuar em 2022, especialmente em relação ao aumento de custo de produção dos alimentos e os impactos de novas variantes do novo coronavírus, como foi o caso da Ômicron, revelada no final de 2021.

Fora isso, ao que tudo indica, é literalmente um céu de brigadeiro para o agro, sem sinal de problemas climáticos, o que poderá resultar numa safra ainda mais espetacular. Vamos conferir isso de perto.

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