O ano de altas e baixas no agro, mas, mesmo assim, histórico

Jamais a colheita foi tão valorizada por conta do fator dólar e da alta de preços causada por mais demanda no mercado internacional

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O ano de altas e baixas no agro, mas, mesmo assim, histórico
11deJaneirode2022ás15:39

Dois mil e vinte um foi o ano da vacinação: 17 de janeiro começa a corrida da imunização em todo o País; em meados de abril, a reabertura de bares e restaurantes dá suas caras; é também a partir de abril que começam a cair as mortes por Covid-19. Para o agro, por que esses dados são importantes e o que eles contam sobre a evolução da economia no campo?

São importantes porque revelam a recuperação de uma das engrenagens essenciais que movem a economia de um país: o consumo interno. Foi isso que levou à queda do consumo de proteína animal e demais alimentos básicos.

Dados do terceiro trimestre de 2021 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram 13,45 milhões de pessoas desempregadas. O número ainda é alto, mas é um melhor resultado, comparado com o mesmo período em 2020, quando o desemprego atingia 14,60 milhões de pessoas. Isso significa incremento de renda a mais brasileiros, estimulando mais fluidez quando se fala na produção voltada ao consumo interno, como proteína animal, frutas, verduras e hortaliças.

É válido lembrar que a produção de carne bovina foi uma das mais impactadas em 2021. A produção é estimada em 9,5 milhões de toneladas em 2021, o que representaria uma queda de 5,9% em comparação a 2020, segundo o relatório do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA, na sigla em inglês). O mesmo relatório prevê uma queda de 8% no consumo doméstico dessa proteína, chegando a 7 milhões de toneladas em 2021.

E as commodities do agro?

O ano de 2021 causou um certo baque por imprevistos climáticos para as commodities agrícolas. O atraso das chuvas levou a um plantio tardio da soja, o que levou a plantios mais arriscados de culturas da segunda safra, em especial o milho, a segunda maior lavoura cultivada no país.

O resultado não foi outro senão uma significativa quebra na safra do milho, que estava estimado em 105,17 milhões de toneladas, na primeira estimativa de produção da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), divulgada em outubro de 2020. O resultado foi de 87,02 milhões de toneladas. A queda na produção foi 15,1%, comparada ao ciclo 2019/2020.

A principal lavoura brasileira, a soja, conseguiu sair ilesa. E registrou uma alta de 10% na comparação entre 2019/2020 e 2020/2021, encerrando em 137,32 milhões de toneladas. A soja superou até as expectativas iniciais da Conab, que estimava uma colheita de 133,67 milhões de toneladas em outubro de 2020. Ao todo, a safra de grãos brasileira em 2020/2021 atingiu 252,40 milhões de toneladas, o que significou um recuo de 2,1% em comparação a 2019/2020.

Valorização em alta

Se por um lado a produção no campo sofreu com a variação climática, por outro, jamais a colheita foi tão valorizada por conta do fator dólar e da alta de preços causada por mais demanda no mercado internacional.

Para se ter uma ideia, com base no Indicador da Soja Esalq/BM&FBOVESPA, entregue no porto de Paranaguá (PR), a saca de 60 quilos de soja que valia, em média, R$ 88 no início de 2020, passou a valer quase duas vezes mais no início de 2021: R$ 154,70. O pico de preços da oleaginosa foi de R$ 183,02, em abril de 2021, e deve fechar o ano entre cerca de R$ 170 a R$ 180 a saca.

Não é por menos que a soja deve registrar o recorde histórico sobre o Valor Bruto da Produção (VBP), que é o indicador calculado pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) sobre o faturamento da produção agrícola. Dos R$ 1,12 trilhão do VBP de 2021, 32,6% devem vir da soja, com um faturamento bruto estimado em R$ 364,82 bilhões.

 

O VBP é o maior da história da produção agrícola brasileira e promete muito para 2022. Em suma, 2021 foi de fato desafiador, com altas e baixas, mas, mesmo assim, foi um ano histórico. Isso não há como negar.

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