Entre hortas e animais, Zeca Pagodinho mantém um sítio produtivo em Xerém
Projeto desenvolvido no sítio do cantor reúne agro urbano, produção de alimentos e convivência com animais na Baixada Fluminense
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Conhecido em todo o Brasil pela carreira consagrada no samba, Zeca Pagodinho também vem chamando atenção fora dos palcos por um projeto que combina produção de alimentos, convivência com animais e práticas ligadas ao agro urbano em seu sítio, o Quintal do Zeca, localizado em Xerém, distrito de Duque de Caxias, na Baixada Fluminense.
Parte da propriedade rural foi transformada em um espaço produtivo que reúne horta comunitária, abrigo de animais e iniciativas voltadas à sustentabilidade, com impacto direto nas comunidades do entorno.
Um dos principais projetos desenvolvidos no local é a Horta Urbana Xerém I, instalada em uma área de cerca de oito mil metros quadrados que antes servia de pasto.
Criada em julho deste ano com apoio de moradores da região, a iniciativa já distribuiu mais de uma tonelada de alimentos, entre hortaliças, verduras e legumes frescos.
A horta é uma das frentes do projeto Guardiões da Mata, conduzido pelo Instituto Zeca Pagodinho (IZP), que também prevê ações de reflorestamento e a criação de um banco de sementes.
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No espaço, já foram plantadas mais de 11 mil mudas de hortaliças e cerca de 50 espécies de árvores frutíferas, incluindo abóbora, beterraba, espinafre, limão e maracujá. O cultivo segue um manejo organizado e planejado, apostando na diversidade e na produtividade sem uso desordenado da área.

Quando atingir plena capacidade, a expectativa é que a horta comunitária alcance uma produção de até 40 toneladas de alimentos por ano, o equivalente a 3 a 5 quilos por metro quadrado. Entre os produtos previstos está o milho, ingrediente do xerém — prato típico da culinária nordestina que também dá nome ao distrito onde o sítio está localizado.
Produção e capacitação no agro urbano
O projeto avançou com parcerias institucionais. Em conjunto com a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), a Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ) e o projeto Cidade Sem Fome, o Instituto promove a capacitação de moradores para o cultivo de alimentos, estimulando a criação de quintais produtivos e a possibilidade de geração de renda.
Além disso, o governo anunciou a cessão de um terreno do IZP para a implantação de um Sistema Agroflorestal Urbano, voltado à produção de plantas medicinais e árvores nativas da Mata Atlântica. A iniciativa deve beneficiar cerca de 100 famílias, com foco na produção e comercialização de alimentos.
Animais fazem parte da rotina
Os animais também ocupam lugar central no dia a dia do sítio. O espaço abriga porcos, coelhos, galinhas, patos, cães, cavalos — utilizados em atividades de equoterapia — e mais de 40 gatos, muitos resgatados de situações de abandono.
“Também tem mais de 40 gatos aqui. Eu tenho um neto que tudo quanto é bicho da rua ele traz pra cá”, contou o cantor.

Parte dos animais vive solta pela propriedade, que funciona como um verdadeiro refúgio.
Estrutura e apoio ao projeto
A viabilidade do projeto conta com apoio do Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA) e de uma emenda parlamentar da deputada federal Benedita da Silva (PT-RJ). Os recursos — que somam R$ 1,5 milhão — são destinados à criação de hortas comunitárias e à capacitação de agricultores urbanos, que poderão acessar políticas voltadas à agricultura familiar, como crédito, máquinas e compras públicas.
Durante o lançamento do projeto, em agosto, Zeca Pagodinho destacou o caráter prático da iniciativa.
“Muito bacana poder contribuir com o alimento para as famílias. A gente sempre ajudou e ajuda o povo de Xerém com distribuições de cestas básicas para famílias que a gente sabe que precisa. Esse projeto é legal porque além de ensinar a plantar, vai gerar comida na mesa de muita gente”, afirmou.

Um sítio produtivo fora dos palcos
O Quintal do Zeca também ficou conhecido por refletir o estilo de vida simples do artista fora da rotina de shows, com rodas de samba, encontros informais e passeios no famoso triciclo vermelho. O espaço já recebeu visitantes como Maria Bethânia, Ana Maria Braga e Ney Matogrosso.
A experiência mostra como iniciativas ligadas ao agro urbano, mesmo em pequena escala, podem ampliar a produção de alimentos, estimular práticas sustentáveis e gerar impacto social, conectando cultura popular e produção no campo — ainda que em ambiente urbano.