Geopolítica global eleva cotação do trigo em 10% no mercado interno

Instabilidade mundial e clima também pressionaram ainda mais preços da soja e do milho

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Geopolítica global eleva cotação do trigo em 10% no mercado interno
22deMarçode2022ás14:57

As cotações do trigo no mercado doméstico aumentaram 10% em média no mês de março em relação aos preços praticados em fevereiro. A situação da agropecuária reflete o cenário de incertezas causado com a atual situação geopolítica mundial, que acende um alerta sobre uma possível menor oferta global do grão.

A valorização do cereal tardou um pouco mais no Brasil por conta da queda do dólar no período, mas reflete uma tendência global. Os preços médios mensais de trigo para os contratos negociados nas bolsas de cereais de Buenos Aires e no Kansas apresentaram uma alta de 4,24% e de em 5,13%, respectivamente quando comparado com janeiro de 2022. Somente ontem, 21 de março, o preço do produto subiu mais 3,8% em Chicago.

Segundo a análise mensal da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a tendência de preços elevados para o trigo pode estimular um aumento na área cultivada.

“Ao se analisar o histórico dos valores de mercado e a área destinada para a cultura, há um indicativo de que os produtores respondem quando os preços estão elevados. No entanto, os custos de produção em alta podem limitar o aumento esperado”, pondera o superintendente de Inteligência e Gestão da Oferta da Companhia, Allan Silveira.

O Brasil é historicamente um importador de trigo e também será nesta safra, apesar da expectativa de aumento da produção para 7,88 milhões de toneladas. A demanda no mercado interno deve atingir 12,75 milhões de toneladas.

Milho  

Para a safra de milho 2021/22, a Conab prevê produção total de 112,3 milhões detoneladas, um aumento esperado de 29%, comparando-se àsafra anterior.As cotações do grão também seguem em alta acompanhando o movimento no mercado internacional, conforme aponta a análise publicada.

A quebra da primeira safra do cereal reduziu a disponibilidade do produto no mercado interno, resultando em uma queda nas exportações em torno de 7% quando comparada com o último ano.  

Ainda assim, é esperada uma elevação de 67% das exportações em 2022, o que retrata a expectativa de aumento da produção de milho de segunda safra. A expectativa atual da Conab para a produção de segunda safra de milho é de 86 milhões de toneladas, um acréscimo de 41,8%.

“Os indicativos das condições hídricas de solo em importantes estados sustentam o resultado esperado. Em Mato Grosso, por exemplo, há uma boa reserva de água no plantio, na floração e no enchimento do grão, fases em que a planta exige maior disponibilidade hídrica. Já na maturação e colheita as lavouras devem registrar estiagem, o que também é positivo”, explica o diretor de Política Agrícola e Informações da Conab, Sergio De Zen.

Segundo ele, a situação é diferente em Goiás e houve uma boa quantidade de água no solo durante o plantio e a floração a produtividade tende a ser boa, porém não excelente. “A maior preocupação está no Paraná. Apesar das chuvas registradas, as estiagens ocorridas deixaram o solo bastante seco, o que pode dificultar a pega da planta bem como o período de floração”, reforça.

Soja

Com o plantio encerrado da soja em 40,7 milhões de hectares, acréscimo de 3,8% na área plantada em relação à safra 2021/22, as atenções se voltam para o andamento da colheita da oleaginosa, que já ultrapassa 70% em todo país.

Segundo observado pelos técnicos da Companhia, as produtividades obtidas refletem o cenário climático durante o ciclo da cultura. A expectativa é que a produção alcance 122,76 milhões de toneladas.

Assim, o cenário também é de preços elevados, movidos pela quebra de safra na América do Sul e pela atual situação geopolítica mundial. Além disso, os prêmios de porto no Brasil devem continuar altos mantendo preços internos da oleaginosa elevados.

Segundo Silveira, “essa conjuntura continua pressionando os custos de produção dos produtores de carnes, o que acaba, em algum momento, refletindo em pressões de aumento de preços para esses produtos”.

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