Agronegócio evita déficit na balança comercial brasileira em fevereiro

Exportação do setor cresceu 64,5% com destaque para preços da soja e da carne bovina

Por
Agronegócio evita déficit na balança comercial brasileira em fevereiro
24deMarçode2022ás19:05

O comércio exterior do agronegócio brasileiro registrou superavit de US$ 9,3 bilhões na balança comercial em fevereiro deste ano. Os dados foram divulgados, nesta semana, pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).

O volume é resultado de US$ 10,5 bilhões das exportações do setor, que tiveram alta de 64,5% em relação ao mesmo mês de 2021, menos US$ 1,2 bilhão de importações, com avanço de 2%, em igual período. 

Na balança comercial com produtos de todos os setores, os resultados indicam saldo de apenas US$ 4 milhões. Isso significa que a cadeia da agropecuária “salvou” mais uma vez o país de um déficit.

“A forte elevação dos preços internacionais das principais commodities da pauta exportadora brasileira, em parte, explica a alta do valor das exportações de fevereiro. Os preços internacionais da soja e do milho estão próximos das máximas históricas. Como resultado, em fevereiro, o valor mensal das exportações ficou acima do registrado em qualquer mês de 2019 e de 2020”, afirmou o Instituto.

Demanda aquecida

A majoração dos valores das exportações da carne bovina em 2022 devem seguir as altas dos preços internacionais e a demanda aquecida. Em sentido diferente, a exportação de carne suína sofreu impacto da queda nos preços internacionais, causada pela redução das importações da China, país em que esse rebanho tem apresentado recomposição.

Em fevereiro, houve recuo de 48% nos envios de carne suína brasileira para a China na comparação com fevereiro de 2021. “A queda foi parcialmente compensada pelos demais destinos, todavia, fechou com volume exportado 12,7% inferior ao de fevereiro passado”, explicou o Ipea.

Depois de recuos mensais contínuos entre julho de 2021 e janeiro de 2022, o café teve crescimento nas quantidades exportadas. As exportações ajudaram a conter o viés de valorização dos preços que durava desde o fim do ano passado. Esse cenário sofreu impacto com o começo da guerra entre Rússia e Ucrânia.

Dez dos 15 produtos acompanhados pelo grupo de conjuntura também apresentaram alta na quantidade exportada, além de elevação no valor da maior parte das commodities vendidas para o exterior.

O complexo da soja e da carne bovina foi a principal contribuição para o desempenho de fevereiro com as maiores variações em relação a fevereiro de 2021: soja em grãos (137%), farelo de soja (52,8%), óleo de soja (30%) e carne bovina (42%). A queda de produção para a safra atual, conforme dados divulgados pelo Instituto de Geografia e Estatística (IBGE) e Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), deve prejudicar a quantidade exportada do produto e de seus derivados em 2022.

trigo foi responsável pelo crescimento de 2% nas importações do agronegócio em fevereiro de 2022. O grão foi o principal produto da pauta, com avanço de 10,9% em quantidade e 26,5% em valor.

Mudanças climáticas

Dois fatores contribuem para mudanças significativas no comércio mundial de commodities. Um deles são as mudanças climáticas e outros fenômenos como a La Niña e as estiagens que impactaram especialmente a produção de grãos, açúcar, café e proteína animal. O outro motivo é relacionado à incerteza quanto à oferta de diversos produtos comprometidos pela guerra entre Rússia e Ucrânia.

De acordo com o Ipea, países no entorno do conflito, como Bulgária e Hungria, reduziram ou suspenderam as exportações de grãos em consequência do risco de desabastecimento interno, mas os preços dos ativos energéticos, metálicos e grãos tiveram fortes altas em março.

Enquanto isso, açúcar, café, cacau e a carne bovina, consideradas soft commodities, “interromperam a sequência de altas, revertendo em queda por causa da sua menor essencialidade em um cenário de conflitos”, apontou o Ipea.

Cargando...