Ipea mantém projeção do PIB em 1,1%, mas reduz expectativa sobre o agro

Setor deve crescer apenas 1% pela quebra de produção de soja; inflação perde força

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Ipea mantém projeção do PIB em 1,1%, mas reduz expectativa sobre o agro
01deAbrilde2022ás15:12

O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) divulgou, ontem, a estimativa de crescimento de 1,1% no Produto Interno Bruto (PIB) do país em 2022, mantendo a previsão feita no final de dezembro do ano passado.

Na projeção, foi observada a redução do crescimento esperado para o setor agropecuário em 2022, de 2,8% para 1%. A queda foi impulsionada por uma redução de 8,8% nas estimativas de produção de soja.

Também houve piora na projeção da indústria para a qual calcula-se uma retração de 0,8%. Na última análise, feita no final de dezembro, a previsão era de estagnação.

A revisão, segundo o documento, leva em conta os efeitos persistentes da desorganização das cadeias de abastecimento globais e os impactos defasados do maior aperto monetário doméstico.

Em compensação, houve melhora no setor de serviços, que saltou de 1,3% para 1,8%. A evolução considera a redução gradual dos efeitos da pandemia sobre a mobilidade urbana e as atividades econômicas.

"A recuperação do setor de serviços deverá sustentar o bom desempenho dos indicadores de ocupação, gerando um efeito positivo na demanda doméstica", avaliam os analistas do Ipea.

As estimativas aparecem na nova edição da Visão Geral da Conjuntura, uma avaliação trimestral da economia brasileira realizada pelo Ipea. Os seis analistas que assinam o documento avaliam diversos fatores que impactam no PIB, como conjuntura, produção e inflação.

Inflação

Conforme a análise, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), considerado a inflação oficial do país, deverá fechar 2022 em 6,5%. Em dezembro do ano passado, a projeção era de 5,5%.

A estimativa também mudou para o Índice Nacional de Preço ao Consumidor (INPC), de 5,5% para 6,3%. Para 2023, foram projetadas taxas de 3,6%, tanto para o IPCA quanto para o INPC.

Os analistas chamam atenção para um cenário de desaceleração inflacionária. "Mesmo acima do patamar projetado inicialmente, o IPCA e o INPC devem encerrar 2022 com uma variação bem abaixo da observada em 2021", pontuam os analistas. O IPCA fechou o ano passado com alta de 10,06%.

PIB 2023

O cenário previsto para o PIB em 2023, uma alta de 1,7%, aposta na redução gradual dos juros a partir de janeiro do próximo ano. A previsão de queda nas taxas de inflação, que deve favorecer o mercado de crédito e os investimentos, foi outro elemento considerado.

Os seis analistas acreditam que o aumento de preços de commodities tende a ser temporário e que a taxa de câmbio deverá ficar estável em relação ao fim de 2022, em R$ 5,20.

"Ainda mais importante, consideramos que haverá menos incerteza por conta do fim dos efeitos da guerra na Ucrânia e da pandemia, o que deve garantir uma evolução positiva das atividades ligadas a comércio e serviços”, diz o documento.

No que se refere à política fiscal, o cenário pressupõe a manutenção de um arcabouço de regras fiscais compatível com o compromisso com a disciplina fiscal, mantendo sob controle o risco associado à evolução das contas públicas.

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