Dia da Terra: agropecuária pode ser parte da solução

Brasil é vanguarda em técnicas de baixo carbono ou descarbonizantes

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Dia da Terra: agropecuária pode ser parte da solução
22deAbrilde2022ás15:50

O Dia da Terra (também chamado Dia Internacional da Mãe Terra) marca todo 22 de abril como uma data para voltar as atenções à preservação e recuperação do planeta que, ainda por muito tempo, será nosso único lar.

Apesar disso, o ser humano usa mais os recursos da Terra do que ela pode se regenerar. Para se ter ideia, a Global Footprint Network indicou que a humanidade explora o planeta 70% mais rápido do que ele se recupera.

Esse ritmo refere-se ao ano de 2021, mas o saldo negativo com o planeta repete-se há décadas. Inclusive, o chamado "Dia da Sobrecarga" tem chegado cada vez mais cedo. No ano passado, por exemplo, foi em 29 de julho, enquanto na década de 1990 era em setembro.

ONU

Neste 22 de abril, o secretário-geral da ONU (Organização das Nações Unidas), António Guterres, disse que os humanos têm sido maus guardiões do seu “frágil lar”.

O chefe da ONU disse que hoje a Terra enfrenta uma crise planetária tripla: o distúrbio climático e perda de biodiversidade, aliada à poluição e ao desperdício que ameaçam o bem-estar e a sobrevivência de milhões de pessoas em todo o mundo.

A entidade calcula que a perda anual de florestas equivale a 4,7 milhões de hectares, uma área maior que a Dinamarca. A organização estima que 1 milhão de espécies animais e vegetais estejam ameaçadas de extinção.

Guterres enumera recursos como água limpa, ar fresco, clima estável e previsível como elementos de uma vida feliz e saudável que “estão em desordem, colocando em risco os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável”.

Esperança

O chefe da ONU aponta que ainda há esperança. Ele explica que cinquenta anos atrás, o mundo se uniu para a Conferência de Estocolmo para dar início ao movimento ambiental global. 

Desde então, disse que foi visto o que é possível ao atuar em união. Entre os resultados estão o encolhimento do buraco na camada de ozônio, o alargamento das proteções para a vida selvagem e os ecossistemas.

Na mensagem, ele também destacou a limitação do aumento da temperatura global a 1,5 graus, que ainda está longe de ser alcançada. Guterres ressalta que para manter a meta viva, os governos devem reduzir as emissões em 45% até 2030 e alcançar a neutralidade de carbono até 2050.

Parte da solução

A agropecuária é uma das poucas atividades produtivas que pode não só zerar, mas também sequestrar GEE (Gases de Efeito Estufa) da atmosfera. 

Por meio de técnicas descarbonizantes ou de baixo carbono, produtores já alcançam mais produtividade, economia de insumos e aumento das margens de lucro, retirando GEE da atmosfera. 

A lógica é simples. Apenas para citar um exemplo, fixar carbono no solo por meio de plantio direto reduz a necessidade de fertilizantes e, também, favorece a produtividade.

Se considerarmos que a agropecuária ocupa cerca de 40% da superfície do planeta, essa transformação em escala global seria altamente impactante. 

Neste sentido, o Brasil é vanguarda em práticas sustentáveis até mesmo com apoio governamental por meio do Plano ABC desde 2010, que teve metas ampliadas com o ABC+ até 2030.

Integração Lavoura, Pecuária Floresta, Fixação Biológica de Nitrogênio, defensivos biológicos, rotação de culturas, recuperação de pastagens degradadas, tratamento de dejetos, florestas plantadas e outras são algumas das ferramentas.

Até 2030, o objetivo é disseminar as tecnologias de baixa emissão de carbono a mais 72 milhões de hectares de terras agricultáveis. Hoje a agricultura brasileira como um todo, sem contar a pecuária, ocupa praticamente a mesma área.

Com isso, será mitigada a emissão de mais de 1 bilhão de toneladas de CO² equivalente. A meta de redução de emissão de GEE pelo Brasil é de 50% até 2030 e neutralidade climática até 2050.

Neste sentido, o maior problema do país parece ser as queimadas, naturais ou criminosas, em áreas de proteção ambiental, que registrou aumentou significativos nos últimos anos. Inclusive, as queimadas são a principal causa de emissões do país.

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