Anvisa autoriza testes clínicos para primeira vacina brasileira contra gripe aviária
Rio Grande do Sul revoga estado de emergência e Brasil tem apenas uma suspeita ativa da doença
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A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autorizou nesta terça-feira (1º) o início do ensaio clínico da primeira vacina brasileira contra a gripe aviária em humanos.
Desenvolvido pelo Instituto Butantan, o imunizante será testado em cerca de 700 voluntários em Pernambuco, Minas Gerais e São Paulo.
A autorização marca o avanço de um estudo que busca avaliar a segurança e a capacidade de resposta imunológica da vacina contra o vírus influenza A H5N8.
A análise documental tramitou com prioridade na Anvisa, com envio contínuo de informações pelo Butantan desde outubro de 2024, em um procedimento adotado pela agência em casos considerados de alta relevância e urgência sanitária.
Como será o teste
O ensaio clínico aprovado é de Fase I/II, randomizado, duplo-cego e controlado por placebo. Os participantes serão divididos em dois grupos etários: adultos de 18 a 59 anos e idosos com mais de 60 anos.
Cada voluntário receberá duas doses da vacina ou do placebo, com intervalo de 21 dias entre elas — apenas um em cada sete receberá o placebo.
O acompanhamento será realizado ao longo de sete meses, com visitas periódicas, exames laboratoriais e análise da resposta imunológica, incluindo exames bioquímicos, hematológicos, sorológicos e testes de imunidade celular.

Avanço da gripe aviária no mundo
O avanço global da gripe aviária é motivo de preocupação. De acordo com dados internacionais, desde 2021, variantes do vírus — como H5N1, H5N8 e H7N9 — causaram a morte de cerca de 300 milhões de aves e afetaram 315 espécies silvestres em 79 países.
Entre humanos, os casos ainda são raros, mas alarmantes. Entre 2003 e 2024, foram confirmadas 954 infecções em 24 países, com 464 mortes — uma taxa de letalidade de 48,6%, muito superior à observada na pandemia de covid-19.
Entenda o que são ensaios clínicos
Ensaios clínicos são etapas fundamentais na pesquisa de novos medicamentos e vacinas. Nessa fase, os testes são realizados em humanos para avaliar segurança e eficácia. Para que uma substância experimental seja registrada e comercializada no país, é necessária a aprovação da Anvisa após pareceres favoráveis dos Comitês de Ética em Pesquisa (CEPs) e da Comissão Nacional de Ética em Pesquisa (Conep).
A autorização da Anvisa se limita a pesquisas com objetivo de registro de medicamentos. O início dos testes depende do cronograma definido pelo patrocinador da pesquisa, neste caso, o Instituto Butantan.
RS revoga estado de emergência após OMSA reconhecer fim do foco em granja comercial
Após conter o foco de gripe aviária em Montenegro, o governo do Rio Grande do Sul revogou o Decreto nº 58.169/2025, que havia declarado emergência zoossanitária no estado.
A medida havia sido adotada em maio, após a confirmação de focos da doença em Montenegro e Sapucaia do Sul.
A revogação ocorreu após o cumprimento de todas as exigências sanitárias, como desinfecção da granja e vazio sanitário.
O reconhecimento da Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA), em 26 de junho, de que o Brasil está livre da gripe aviária em plantéis comerciais, foi determinante para a decisão.
“O encerramento, com agilidade, desse foco de gripe aviária é fruto da liderança e competência do Serviço Veterinário Oficial do Rio Grande do Sul”, afirmou o secretário estadual da Agricultura, Edivilson Brum.
O Ministério da Agricultura também publicou a Portaria nº 809, declarando oficialmente encerrada a emergência zoossanitária no município de Montenegro.
Apenas um caso suspeito segue em investigação no país
Atualmente, o Brasil investiga apenas um caso suspeito de gripe aviária. A notificação foi feita em 29 de junho, em Luziânia (GO), e envolve uma galinha de criação doméstica. Até o momento, o diagnóstico é inconclusivo.
A ocorrência está sendo monitorada pelas autoridades de vigilância sanitária, em conformidade com os protocolos nacionais de resposta rápida à influenza aviária.