Cenário global impacta nos preços das hortaliças brasileiras

Custos de produção de tomate e cebola, por exemplo, subiram até 50% na comparação com 2021, diz Cepea

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Cenário global impacta nos preços das hortaliças brasileiras
03deJunhode2022ás12:12

A tão falada “disparada nos preços” dos insumos, liderada pela crise mundial dos fertilizantes, vem refletindo diretamente na alta das hortaliças brasileiras.

E em alguns casos, como exemplo a produção de tomates, em Mogi Guaçu (região que é importante produtora), o orçamento subiu 51% na comparação com os últimos dois anos. 

O alerta aos agricultores brasileiros – e expectativas de cenário semelhante em 2023 - vem dos especialistas do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), da Esalq/USP, com a publicação do Especial Hortaliças de 2022.

 A revista, organizada pelo time Hortifruti Brasil, evidencia que o movimento de alta segue reforçado neste ano e que produtores devem ter cautela, com relação aos investimentos nos próximos meses - assim como boa parte já vem fazendo desde o início da pandemia. 

Alta nos preços 

De volta ao exemplo do tomate, os especialistas calculam que somente o orçamento de 2022, terá elevação de 27%. Em Caçador (SC), a safra de verão de tomate que acaba de ser encerrada (2021/22) registrou incremento de 37% nos gastos frente à temporada passada para produção de grande escala e de 50% para a pequena escala. 

Outro item constante na mesa do brasileiro, a cebola encerrou sua safra recentemente e também sente o peso no bolso. Na região de Lebon Régis (SC), a alta dos custos foi de 34% frente à temporada passada. 

Impactos mundial

Os fertilizantes seguem em 2022 como protagonistas da alta dos custos de produção. Pelo segundo ano consecutivo, a valorização do insumo tem sido intensa, desde março, agravada com a guerra Rússia Ucrânia – dois importantes fornecedores globais de fertilizantes, sobretudo para o Brasil. 

Ainda de acordo com o Cepea, o petróleo é outro item que vem contribuindo para alta nas hortaliças. A valorização do combustível fóssil eleva os gastos com diesel e, consequentemente, encarece as operações mecânicas e os fretes, resultando em aumentos nos preços de diversos outros insumos agrícolas.

Mas não para por aí. 

Todos os produtores de cebola e tomate consultados pela equipe de Hortifruti do Cepea indicaram agravamento na dificuldade em se contratar mão de obra, o que também tornou esse item ainda mais caro.

 

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