Carne do Pampa conquista selo de certificação de origem

Apropampa exige que animais sejam nascidos e criados na região de forma tradicional

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Carne do Pampa conquista selo de certificação de origem
14deJunhode2022ás09:58

Não é de hoje que a carne de bovinos criados livres no Pampa gaúcho chama a atenção do paladar dos consumidores. O produto, segundo pesquisas da Embrapa Pecuária Sul, destaca-se pelo alto teor de nutrientes como ferro e vitaminas do complexo B, além de menor taxa de gordura e maior presença de ômega 3 na comparação com animais criados em confinamento. 

Mas como saber que o alimento é 100% do Pampa no ato da compra? Para evitar dúvida, a Associação dos Produtores de Carne do Pampa Gaúcho (Apropampa) comemora o reconhecimento do Instituto Nacional de Propriedade Industrial como marca coletiva, o que lhe confere um selo de identificação (o Apropampa).

Agora, a marca passa a ser inserida nas embalagens como certificação de um produto originário do pampa gaúcho. “Os animais têm de ser nascidos e criados na região. Queremos nos comunicar com o consumidor. Para que ele enxergue o selo e reconheça o que há por trás”, explica o presidente da Apropampa, Custódio Magalhães.

Ainda de acordo com Magalhães, a combinação entre a variedade de pastos naturais e cultivados, o clima, as raças taurinas e sintéticas criadas e o manejo utilizado são os grandes diferenciais que formam a singularidade da carne do Pampa.

E é bom frisar que, justamente por isso, para ter o selo, é exigido que todas as etapas da produção sejam no bioma, apenas com a possibilidade de abate fora do Pampa, mas ainda assim dentro do Rio Grande do Sul. 

Parcerias ajudaram na criação do selo

A Embrapa, o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) e o governo do Estado do Rio Grande do Sul foram parceiros da Apropampa no processo que resultou na marca coletiva e na aprovação do selo.

Segundo Danilo Sant´Anna, pesquisador da Embrapa Pecuária Sul (RS), além de diferenciar a carne, o objetivo da distinção é contar toda a história e significado que existe por trás do produto final.

“O Pampa é um ambiente naturalmente campestre, diverso e muito propício à atividade pecuária pastoril. E a figura do gaúcho, bem como sua cultura e tradição, se moldou por esse ambiente e por essa vocação para a pecuária. Nós não desmatamos para produzir, temos o ambiente propício, e a Apropampa pretende comunicar isso aos seus consumidores”, destacou Sant’Anna.

O pesquisador lembra ainda que Embrapa participou de todo o processo que resultou na conquista do selo, desde apoio à formação da Apropampa até estudos técnicos de delimitação da área geográfica para identificação da origem da carne.

A empresa também é membro do conselho técnico regulador da associação, além de apoiar o fomento à cadeia da carne e na negociação com novos frigoríficos interessados em valorizar a proteína oriunda do Pampa. 

A diversidade forrageira do Pampa

O bioma Pampa é formado basicamente por campos naturais com rica biodiversidade de espécies vegetais e animais. Estudos apontam a existência de cerca de 450 espécies de gramíneas e 150 de leguminosas, muitas delas com enorme potencial forrageiro.

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