Países desenvolvidos aprovam 99,7% dos agrotóxicos em uso no Brasil

Critérios de aprovação incluem necessidade por clima, praga e cultura

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Países desenvolvidos aprovam 99,7% dos agrotóxicos em uso no Brasil
21deJunhode2022ás10:33

Países desenvolvidos como Estados Unidos, Canadá, Japão, Austrália e União Europeia (EU) aprovam 278 dos 279 ingredientes ativos (IA) de defensivos químicos em uso no Brasil.

Em outras palavras, apenas uma substância permitida nas lavouras brasileiras não está registrada em nenhum dos países mencionados, ou seja, 0,3% do total.

A informação foi compilada e divulgada ontem pela Crop Life a partir de uma análise comparativa realizada pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa).

Na análise de substâncias aprovadas em cada um desses países, dos 279 ingredientes ativos registrados no Brasil, 228 que também estão aprovados na Austrália, 218 nos Estados Unidos e Canadá, 205 no Japão e 136 na União Europeia.

 

Segundo o levantamento do Mapa, os outros ingredientes avaliados que não têm registro na UE, Estados Unidos ou Canadá possuem registro, ao menos, na Austrália ou Japão.

A razão para essa diferença é a necessidade ou não do uso de determinada substância, não a toxicidade ou o risco de um produto. Isso inclui critérios como o tipo de clima, solo, pragas e culturas cultivadas em determinado país. Um exemplo seria a cultura de soja que é relevante no Brasil mas quase inexistente na UE. 

“A situação (ausência de aprovação em mais de um país) mostra que a não simultaneidade de registros de pesticidas é algo comum e decorrente da necessidade de cada país ter uma certa tecnologia registrada”, explica o documento. 

União Europeia

No caso da UE, é importante diferenciar o que é “não aprovado” ou “proibido”. Desde 1991, o bloco europeu elencou mais de 900 substâncias para serem avaliadas em um período de 12 anos. Apenas após essa avaliação, os compostos poderiam ser considerados “aprovados” pela UE.

Contudo, nem todas as moléculas chegaram a ser avaliadas pela EFSA (Agência de Segurança Alimentar Europeia) e após o prazo de 12 anos passaram a ser consideradas “não aprovadas”.Como resultado, 520 ingredientes ativos (IAs) foram denominadas como não aprovadas, o que é erroneamente interpretado como “banido”.

Portanto, “não aprovação” não está relacionada com risco de toxicidade ou exigências regulatórias pelo simples motivo de que tais IAs não foram avaliados, o que é diferente de terem sido “reprovados” ou “banidos”.

Por isso, é conveniente verificar os 143 ingredientes ativos aprovados no Brasil que não tem aprovação na União Europeia.

Desses, 71% nunca foram avaliados pela autoridade sanitária do bloco europeu, 17% não tiveram sua avaliação concluída e apenas 11% (ou 16 produtos) demonstraram algum tipo de risco para meio ambiente ou para a saúde de trabalhadores e consumidores.

 

Da mesma forma, existem 90 ingredientes ativos registrados na UE e que não possuem registros em território brasileiro – 77 são substâncias nunca submetidas para registro no país; 9 por ausência de fabricantes e 4 são ingredientes ativos novos.

“Uma demonstração simples de que a não simultaneidade de registros em todos os países não necessariamente significa uma proibição por riscos à saúde ou ao meio ambiente”, conclui o documento.

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