Usina paulista lança primeiro açúcar rastreado por blockchain

Sistema desenvolvido pela Embrapa pode ser adaptado a outros produtos

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Usina paulista lança primeiro açúcar rastreado por blockchain
21deJunhode2022ás12:28

A Usina Granelli leva ao mercado, a partir de julho, o primeiro açúcar mascavo rastreado por blockchain. A novidade foi desenvolvida em parceria com a Embrapa Informática Agropecuária para garantir a transparência e a integridade das informações do produto.

Por meio de um QR Code estampado na embalagem, qualquer pessoa poderá verificar as informações sobre a origem e o processo de fabricação do açúcar. O tipo mascavo é valorizado no segmento de produtos naturais e saudáveis, mas ainda sofre com casos de adulteração.

Ao longo de três anos, uma equipe de especialistas da Embrapa Agricultura Digital (SP) trabalhou no desenvolvimento do Sistema Brasileiro de Agrorrastreabilidade (Sibraar).

A tecnologia foi customizada para o açúcar mascavo e validada na planta agroindustrial da Usina Granelli, parceira no projeto-piloto. Agora, a empresa será a primeira licenciada a comercializar o produto rastreado, que vai levar o selo Tecnologia Embrapa.

O sistema foi introduzido no processo de produção neste mês de junho, dando início aos primeiros lotes com rastreabilidade via blockchain. Pelo contrato de licenciamento, uma porcentagem das vendas será revertida para a Embrapa na forma de royalties.

O desenvolvimento do projeto também contou com o apoio da Cooperativa dos Plantadores de Cana do Estado de São Paulo (Coplacana). O lançamento oficial acontece hoje na sede da Usina Granelli, em Charqueada (SP).

Rastreabilidade blockchain

A tecnologia Sibraar possibilita que os dados de fabricação do produto sejam armazenados em blocos digitais, usando a blockchain para construir uma sequência temporal e imutável dos registros e garantindo, assim, a integridade das informações geradas ao longo do processo de produção.

Para cada lote do açúcar mascavo da Granelli, serão disponibilizadas a data de produção, a variedade de cana utilizada e a identificação e geolocalização da propriedade rural que forneceu a matéria-prima para aquele lote, conforme as regras previstas na Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPD).

 

Também serão fornecidas informações sobre a análise microbiológica do produto e sobre os parâmetros físicos e químicos daquele açúcar, como teor de sacarose, umidade e cor.

O sistema da Embrapa foi concebido inicialmente para o setor sucroenergético, mas pode ser customizado também para a agroindústria vinculada a outras cadeias agrícolas, como a de grãos.

 

Diferencial competitivo

Questões relacionadas à originação e rastreabilidade dos produtos já estavam no radar da Usina Granelli. Segundo a diretora de projetos, Mariana Granelli, a possibilidade de incorporar uma tecnologia como blockchain foi a oportunidade de dar completa transparência e ser reconhecido pelas melhores práticas adotadas na produção. 

“O mercado está cada vez mais exigente, quanto mais formos transparentes nessa relação, acreditamos que melhor será a nossa reputação junto ao consumidor”, ressalta.

Ela projeta para este ano um piloto de produção de quatro toneladas de mascavo com rastreabilidade. A Usina também já estuda estender o uso da tecnologia para outros produtos, como o açúcar tipo demerara e destilados alcoólicos.

Fundada há 35 anos, na região do vale do rio Piracicaba, a Usina Granelli nasceu como engenho para produção industrial de cachaça, revendendo para grandes engarrafadoras do País. Nos anos 2000, a empresa passou a produzir também etanol e xarope de cana.

A fabricação de açúcar é mais recente, produzindo os tipos VHP (Very High Polarization), açúcar bruto voltado para a exportação, e o demerara e mascavo.

O açúcar mascavo com a rastreabilidade via blockchain é a aposta da empresa para entrada na venda direta ao consumidor, por meio de supermercados, lojas especializadas e plataformas de comércio eletrônico.

“Há cinco anos, a Usina vem aprimorando o processo de fabricação, buscando parâmetros ideais para aceitação no mercado. O objetivo é atender um segmento de consumidores preocupado com a saudabilidade dos alimentos e disposto a remunerar um açúcar com maior valor agregado. A rastreabilidade chega neste mesmo contexto, de oferecer um alimento seguro e de qualidade”, afirma Granelli.

 

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