Exportação de café cai em volume, mas receita sobe 35,5% até maio

Receita externa do setor já alcançou US$ 7,34 bilhões no ano safra 2021/22

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Exportação de café cai em volume, mas receita sobe 35,5% até maio
21deJunhode2022ás15:50

As exportações brasileiras de café caíram 14,8% em volume, mas faturaram 35,5% no ano safra 2021/22 até maio em relação ao mesmo período da temporada passada, segundo o Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé).

Com os números de maio, as remessas nacionais do produto somaram a 36,288 milhões de sacas de café, contra 42,597 milhões de sacas entre julho de 2020 e maio de 2021.

Já em valores, houve salto de 35,5% em idêntico intervalo, com a receita saindo de US$ 5,420 bilhões para os atuais US$ 7,344 bilhões.

No acumulado de 2022, a performance é similar à do ano safra, com os embarques brasileiros recuando 7% e a receita cambial apresentando incremento de 63% na comparação com os cinco primeiros meses do ano passado.

De janeiro a maio deste ano, o Brasil comercializou 16,621 milhões de sacas com 112 países, obtendo o ingresso de US$ 3,867 bilhões.

Mais volume em maio

Apenas em maio, as exportações brasileiras de café totalizaram 2,806 milhões de sacas de café, volume que implica alta de 5,1% em relação aos 2,669 milhões remetidos no mesmo mês de 2021.

Em receita, os embarques renderam US$ 668,1 milhões, apresentando significativo crescimento de 83,1% na mesma comparação.

Segundo o presidente do Cecafé, Günter Häusler, a leve melhora registrada no volume embarcado em maio deste ano permitiu que o país mitigasse moderadamente as quedas observadas nos acumulados da temporada 2021/22 e do ano civil.

“A pequena alta no mês passado é reflexo de uma leve melhora logística, que possibilitou embarcar o café previsto para maio e parte das cargas que estava represada nos portos”, explica.

Entretanto, ele pondera que o cenário desafiador aos exportadores permanece diante dos gargalos logísticos, ocasionado pelo congestionamento em grandes portos da Ásia e da América do Norte, e da continuidade do conflito entre Rússia e Ucrânia.

“Os exportadores brasileiros continuam enfrentando dificuldades para a obtenção de contêineres e espaço nos navios e se deparando com fretes muito caros. A extensão da guerra, que passa de 100 dias, além de toda a tragédia humana observada, traz impactos diretos em nossos embarques”, diz.

 

Em relação à evolução observada na receita cambial obtida com as exportações, o presidente do Cecafé explica que é reflexo do patamar elevado nos preços internacionais e internos do produto, além do dólar valorizado frente ao real no mercado cambial, o que aumenta o ingresso de recursos no Brasil.

Principais destinos

De janeiro a maio deste ano, os Estados Unidos retomaram o posto de principal importador do café brasileiro. Os norte-americanos adquiriram 3,240 milhões de sacas, volume 5% inferior aos 3,410 milhões comprados no mesmo intervalo em 2021. Esse montante representa 19,5% das exportações totais do Brasil até o momento.

A Alemanha, com representatividade de 18,7%, importou 3,113 milhões de sacas (-3,8%) e ocupou o segundo lugar no ranking, que liderou em abril. Na sequência, vêm Bélgica, com a compra de 1,661 milhão de sacas (+29,6%); Itália, com 1,406 milhão de sacas (+7,2%); e Japão, com a aquisição de 726.995 sacas (-26,1%).

Com a continuidade do conflito entre Rússia e Ucrânia, chama a atenção o impacto nas exportações aos russos, que saíram do tradicional sexto lugar no ranking para o 13º posto no acumulado do ano até maio. Esse país do Leste Europeu adquiriu 292.384 sacas de janeiro ao fim do mês passado, volume que representa queda de 42,8% na comparação com o mesmo intervalo de 2021.

Vale destacar, ainda, o desempenho dos embarques para a Colômbia, terceiro maior produtor mundial de café. A nação vizinha importou 552.111 sacas do produto nacional nos primeiros cinco meses de 2022 e ocupa o sexto lugar entre os principais parceiros no acumulado do ano.

Esse volume representa 3,3% do total remetido pelo Brasil ao exterior e implica crescimento de 7,7% ante as aquisições realizadas entre janeiro e maio de 2021.

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