Mapa dispara alerta sobre doença incurável da bananeira

Brasil ainda não tem casos da fusariose raça 4, mas monitora relatos suspeitos em países vizinhos

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Crédito da imagem: divulgação/Mapa.

Crédito da imagem: divulgação/Mapa.

07deJulhode2022ás11:01

O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) pede atenção total dos produtores de banana, especialmente em São Paulo, onde estão concentradas as maiores plantações (no Vale do Ribeira), para monitoramento e controle da fusariose raça 4 tropical da bananeira. 

Nesta quinta (dia 7), o Mapa emitiu alerta para que as superintendências federais (SFA) reforcem ações com foco na doença, que ainda não chegou ao Brasil. No entanto, estão em analises casos suspeitos (mas não confirmadas oficialmente) em países latinos que fazem fronteira com o Brasil. 

A fusariose raça 4 tropical atinge a planta através do solo infectado, de mudas contaminadas e implementos agrícolas e instrumentos de poda infectados. Ainda não existe controle químico para a doença.

Ao penetrar na planta, a praga entope os vasos que conduzem a seiva, impedindo o movimento de nutrientes e água. 

“Como consequência, a planta seca, amarelece e morre. O fungo permanece no solo por mais de 40 anos, tornando inviável a continuação da cultura na área”, explica o engenheiro agrônomo e fitopatologista Wilson da Silva Moraes, da SFA de São Paulo. 

A doença já se espalhou pela Indonésia (1990), China (1996), Filipinas (2008), África (2013), Austrália (2015), além de Colômbia (2019) e Peru (2020). 

Em 2015, a Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação (FAO) chegou a emitir alerta internacional para tentar conter o avanço da fusariose.  

Monitoramento é constante desde 2019 

No Estado de São Paulo, o Mapa acompanhou ações de monitoramento e prevenção realizadas em todo o primeiro semestre. Mas, em função de novo alerta emitido no final de maio, a equipe da Superintendência Federal de Agricultura (SFA-SP) decidiu reforçar as ações preventivas para os próximos meses. 

Desde 2019, o Mapa desenvolve um trabalho de prevenção e monitoramento nas plantações de banana não apenas da fusariose raça 4 tropical, mas também do moko da bananeira (é que causada por uma bactéria habitante do solo).  

De março a maio, os fiscais estiveram envolvidos em cinco ações de coleta em São Paulo, passando por produtores no Vale do Ribeirae nas cidades de Taubaté, Jales, Fernandópolis e Andradina, Assis, Avaré, Campinas e Aguaí.

As coletas envolvem o sistema vascular das plantas (filetes do caule e da raiz). No total, somente em 2022, já foram coletadas 70 amostras para fusariose e 70 para moko.

As amostras são analisadas pelo laboratório oficial do Mapa localizado em Goiás. Até o momento, todas testaram negativo para as duas doenças.

As próximas ações concentram-se em Riolândia, Santo Antônio do Aracanguá, Getulina, Novo Horizonte e Colina. 

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