Conheça a “irrigação de luz” que eleva produtividade de soja em 57%

Luz artificial suplementa iluminação natural durante a noite

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Pivôs centrais com fontes de luz já operam em várias fazendas no país. (Foto: Adriana Mendes)

Pivôs centrais com fontes de luz já operam em várias fazendas no país. (Foto: Adriana Mendes)

07deJulhode2022ás13:00

O engenheiro agrônomo Gustavo Grossi observou, quase por acaso, em 2018, que plantas de soja posicionadas próximas a um poste de luz de LED tiveram um desenvolvimento além do comum.

Esse foi o início do projeto Irriluce, do Grupo Fieline, que alcançou produtividades até 57% maiores em 100 hectares de soja com 40 dias de “irrigação” de luz no Triangulo Mineiro.

Em outras palavras, a produção na área, após diversos testes, saltou de 75 para 118 sacas por hectare. Isso porque a técnica viabiliza iluminação por LED durante a noite ou em tempo nublado e, assim, potencializa o desenvolvimento das plantas.

Desde 2020, o projeto aperfeiçoa o Sistema Irriluce de pivôs centrais luminosos para 14 culturas, entre elas cana, algodão, trigo, milho, sorgo, soja, feijão, girassol, tabaco, tomate, batata, alho, cebola e pimenta. Além disso, já possui clientes em diversos estados como Minas Gerais, Rio Grande do Sul e São Paulo.

Segundo a empresa, a suplementação luminosa deve ser aplicada nos momentos ideias para compor os melhores resultados, bem como considerar boas práticas no manejo da adubação.

“Compreender os períodos e as intensidades luminosas é de extrema importância para validarmos com precisão os fatores de sucesso dessa tecnologia”, comenta Gustavo, que também é sócio do Grupo Fieline.

Gustavo explica ainda que o sistema não consiste apenas em luz, mas tem todo um aparato tecnológico desde o pivô à utilização da vazão de água, nutrição e recuperação de estrutura de solo, entre outras.

Deste modo, segundo a empresa, o incremento médio de produção chega a 66% independente da cultura. Em uma área de testes menor, inclusive, a produção saltou 71 sacas para 160 sacas por hectare, o que significa 125% de aumento, após 40 dias de suplementação de luz.

Descoberta

O projeto começou com apenas um poste de iluminação que, com o posicionamento correto, favoreceu a vegetação e a produção de algumas culturas segundo suas características foto-morfológicas.

“A partir daquele momento, passamos a analisar o tipo e a distância correta da luz. Então, ano após ano, fomos evoluindo até chegar com esta estrutura. Claro, existe o tipo de LED correto e a aplicação na agricultura ainda bem recente não só no Brasil, como no mundo”, conta Gustavo.

O grande foco do aperfeiçoamento é o manejo ideal para cada cultura. Até o momento, eles pretendem validar no maior número possível de cultivos os resultados expressivos obtidos em soja, milho e feijão.

“A tecnologia Irriluce não tem contraindicações, uma vez que todas as plantas demandam iluminação para realizar seus processos metabólicos. No entanto, compreendemos que cada uma delas exige momentos e quantidades diferentes de luz”, pondera.

Outra variável em teste é a qualidade das luminárias. Assim, diversos fatores devem ser considerados como testes de montagem, colorações, disposição e materiais que resistam ao cultivo aberto.

As pesquisas são realizadas para detalhamento técnico por meio de parcerias consolidadas com universidades e instituições de pesquisas públicas e privadas. Por ora, os resultados verificados já são promissores, visto que o desenvolvimento a campo já foi iniciado.

 

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