Conab prevê 272,5 milhões de toneladas de grãos na safra 21/22

Entre as razões, país deve colher 45,6% mais milho 2ª safra e 10,2% menos soja

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Silo armazena milho no Centro-oeste brasileiro. (foto - Getty Image)

Silo armazena milho no Centro-oeste brasileiro. (foto - Getty Image)

07deJulhode2022ás10:39

Com condições climáticas favoráveis para o desenvolvimento das culturas de 2ª safra, a produção de grãos no país deverá atingir 272,5 milhões de toneladas no ciclo 2021/22, conforme indica o 10º Levantamento da Safra publicado nesta quinta-feira (7) pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).

O volume representa um crescimento de 6,7% em relação à temporada passada, ou seja, cerca de 17 milhões de toneladas. Para área também é esperado um aumento de 4 milhões de hectares, sendo estimada em 73,8 milhões de hectares.

Mais milho

Com cerca de 60% do milho 2ª safra em maturação e 28% colhidos, a colheita total do cereal está estimada em 115,6 milhões de toneladas, volume 32,8% superior ao ciclo passado. Apenas na 2ª safra da cultura o aumento chega a 45,6% da produção, chegando próximo a 88,4 milhões de toneladas.

Caso confirmado o resultado, esta será a maior produção de milho 2ª safra registrada em toda a série histórica. No entanto, é preciso ressaltar que, mesmo com estágio avançado da cultura, cerca de 19% das lavouras de 2ª safra de milho ainda se encontram sob influência do clima.

Sorgo

Impulsionado pelo crescimento do milho, o sorgo é outro grão que tende a registrar recorde na produção com colheita estimada pela estatal em mais de 3 milhões de toneladas.

O produto é utilizado na preparação de ração para animais, principalmente frango, e tem como vantagem ser mais resistente à estiagem. Os estados que apresentam os maiores percentuais de crescimento são Mato Grosso do Sul, Piauí e Bahia, com incrementos de 362,6%, 227,2% e 98%, respectivamente.

Feijão

No caso do feijão, a produção total está estimada em 3,1 milhões de toneladas. Destaque para o cultivo da segunda safra da leguminosa, que deve registrar um aumento de 26% em relação ao ciclo passado, saindo de 1,1 milhão de toneladas para 1,4 milhão de toneladas.

A recuperação é explicada pelas boas condições climáticas registradas em comparação ao ano safra 2020/21.

Arroz

Já as lavouras de arroz e soja foram impactadas pela estiagem ocorrida no Sul do país e em parte de Mato Grosso do Sul. Segundo a Companhia, a produção para o arroz a colheita estimada é de 10,8 milhões de toneladas.

Menos soja

A produção brasileira de soja deverá totalizar 124,05 milhões de toneladas na temporada 2021/22, com corte de 10,2% na comparação com a temporada anterior, quando foram colhidas 138,15 milhões de toneladas.

Em junho, a Conab trabalhava com produção de 124,27 milhões de toneladas, com recuo de 0,2%. A Conab trabalha com uma área de 40,95 milhões de hectares, com elevação de 4,5% sobre o ano anterior, quando foram cultivados 39,2 milhões de hectares.

A produtividade está estimada em 3.029 quilos por hectare. Em 2020/21, o rendimento ficou em 3.525 quilos por hectare.

Mais Trigo

Nas culturas de inverno, destaque para o trigo. De acordo com a estimativa da Conab, a produção também deve atingir um novo recorde, chegando a 9 milhões de toneladas.

Com este volume, o crescimento na colheita de trigo chega a 75% em comparação à safra de 2019, quando foi registrada uma produção de 5,1 milhões de toneladas. O melhor desempenho do cereal de inverno impulsiona o crescimento da produção das demais culturas cultivadas.

Para o trigo, destaque para o encerramento da safra 2021 que acontece neste mês de julho. Além da produção, foram revisados o quantitativo a ser exportado, que passou de 3,15 milhões de toneladas para 3,2 milhões de toneladas, e a estimativa de importação, que reduziu em 500 mil toneladas.

Com isso, os estoques finais esperados para a safra 2021 a ser finalizada esse mês é de 490 mil toneladas. Para a safra 2022, que se inicia em agosto de 2022 e se encerra em julho de 2023, com a estimativa recorde de produção, a expectativa é que haja uma recuperação dos estoques que foram estimados em 1,25 milhão de toneladas neste levantamento.

Mercado 

Neste 10º levantamento, as estimativas em geral foram revisadas para cima quando comparadas com as divulgadas no relatório anterior. Soja e algodão foram a exceção, em virtude da diminuição esperada na produção.

Para a soja, as estimativas de sementes/outros usos e perdas e estoque final também diminuíram, 0,11% e 4,42%, respectivamente, sendo o estoque de passagem de 2022 estimado em 4,65 milhões de toneladas. Já o suprimento e o estoque final de algodão foram reduzidos em 0,67% e 2%, respectivamente.

Quanto ao mercado internacional da fibra, a perspectiva, entretanto, é que as exportações finalizem o ano em 2,05 milhões de toneladas de pluma.

Por outro lado, no quadro de suprimentos do arroz e do feijão, além do crescimento esperado na produção e da consequente elevação do suprimento nacional, as estimativas dos estoques finais aumentaram em aproximadamente 10% para os dois produtos, em relação ao relatório anterior.

A estimativa é que a safra atual encerre com estoque de passagem de 2,2 milhões toneladas de arroz e de 278,3 mil toneladas de feijão.

As estimativas para o milho também foram ajustadas para cima, com exceção do estoque final, que teve redução de 1,19% em relação ao levantamento anterior, sendo esperado um volume de 10,4 milhões de toneladas ao final do ano safra.

No que se refere à comparação com a safra 2020/21, o destaque é para o menor volume de importação total, queda justificada pela maior disponibilidade do cereal no atual ciclo, o que deverá reduzir substancialmente as importações no segundo semestre em relação ao mesmo período de 2021.

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