Paraná aposta em insumos feitos com dejetos de animais

Pesquisa realizada no Estado comprova potencial dos insumos orgânicos para substituir minerais, reduzindo erosão e mantendo produtividade

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Credito da imagem: Governo do Paraná.

Credito da imagem: Governo do Paraná.

08deJulhode2022ás10:45

Em plena crise mundial dos fertilizantes minerais, por conta da guerra, pesquisa desenvolvida no Paraná traz resultados positivos para produtores que queiram utilizar os insumos orgânicos, elaborados a partir de dejetos dos animais. 

Trata-se do subprojeto “Monitoramento hidrossedimentológico em microparcelas com aplicação de dejetos de animais no Sudoeste do Paraná”, que faz parte da Rede de AgroPesquisa e Formação Aplicada Paraná (Rede AgroParaná), e é mantido com apoio financeiro do SENAR-PR e do governo do Estado.

“Os produtores do Paraná já aplicam os resíduos em larga escala. O problema é que, muitas vezes, utilizam em doses acima do recomendado. Com esse monitoramento será possível orientar o manejo e reduzir os impactos ambientais”, explica Carlos Alberto Casali, professor da UTFPR e responsável pelo subprojeto.

Ele explica que o objetivo do estudo é justamente avaliar o efeito do uso de dejetos na produtividade das culturas e nas perdas de solo, água e nutrientes por escoamento superficial em áreas de Sistema de Plantio Direto (SPD), bem como orientar com relação as quantidades corretas. 

Resultados positivos

A boa noticia é que os resultados iniciais já indicam efeitos positivos. Testes realizados no campus de Dois Vizinhos, da Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR), apontam para menor escoamento superficial nos locais com aplicação de dejetos de animais.

Outra vantagem foi que aumento da produção de matéria seca da parte aérea também gerou maior adição de resíduos nas parcelas, o que ajuda a amenizar o processo erosivo.

Em 25% das coletas realizadas até agora, foi verificado que o uso de dejetos diminuiu as perdas de volume escoado de solo e água, o que pode estar relacionado ao aumento da produção de biomassa vegetal e redução dos processos erosivos do solo.

Já em relação aos níveis de produtividade, testes iniciais – realizados em cultivos de soja e trigo – apontam para aumento de até 15% na produtividade em comparação ao uso de minerais.

“O fato de ter a mesma produtividade já é extremamente positivo. Isso mostra o potencial dos dejetos de animais para reduzir ou até substituir completamente a adubação mineral, sem comprometer os resultados da produção agrícola. Além de reciclar um passivo ambiental, o produtor também pode reduzir custos, ainda mais se considerarmos os preços atuais dos fertilizantes minerais”, conclui Casali. 

Para o estudo, além da Rede AgroParaná, foram firmadas parcerias com a Embrapa Suínos e Aves, cooperativa Frimesa, Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná (IDR-Paraná) e Centro de Ciências Agroveterinárias (CAV) da Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc-Lages).

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