O que esperar do setor de HF nos próximos 20 anos?

Questionamento foi feito ao setor para comemorar 20 anos da revista Hortifruti Brasil, do Cepea/USP

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O que esperar do setor de HF nos próximos 20 anos?
12deJulhode2022ás10:19

O que podemos esperar do setor produtivo para os próximos 20 anos? Além de ter o objetivo de identificar estratégias para um futuro próspero, esse foi o questionamento feito ao mercado pela equipe de pesquisadores da revista Hortifruti Brasil, do Cepea/USP, como parte das comemorações dos 20 anos da publicação, completados em 2022. 

A ideia foi ouvir importantes agentes do setor de hortifruti para identificar ambições de produtores e consumidores para as próximas duas décadas. E a resposta, quase unânime, trouxe dois fatores essenciais: união do setor produtivo e conscientização da importância da ingestão de uma alimentação saudável.

“Precisamos caminhar para tornar as associações profissionais, com pessoas capacitadas para o desenvolvimento do setor”, resumiu Natalino Shimoyama, diretor executivo da Associação Brasileira da Batata.

Para Eduardo Sekita de Oliveira, empresário do setor e presidente do Ibrahort (Instituto Brasileiro de Hortifruti), a comunicação entre os agentes é tão importante quando a informação para consumidor sobre os alimentos e processo produtivo.

“Não se consegue nada sozinho, por maior que seja o produtor. Além disso, é necessário reduzir a informalidade, trabalhar a eficiência, a capacitação de pessoas e ter processos de produção mais assertivos e sustentáveis. A comunicação e a informação são as grandes armas do setor produtivo,”, disse.

Ainda segundo Oliveira, também é importante acompanhar as tendências da vida moderna. “Uma tendência interessante são os alimentos à base de plantas, que são uma oportunidade ao setor de hortaliças”, pontua. 

Dentro e fora da porteira

Quando o debate é dentro da porteira, além do entendimento de que as questões relevantes devem ser tratadas coletivamente pelo setor produtivo, o setor defende que ações coletivas contribuem com uma melhor coordenação da cadeia como um todo e também como forma de avanço dos negócios, por meio de um maior poder de comercialização (tanto compra quanto venda).

Fora da porteira, na cadeia de comercialização, a agenda é ainda mais extensa, e melhorias na comercialização e na distribuição de frutas e hortaliças devem ser contínuas. Quanto ao mercado externo, “um dos grandes problemas atuais na exportação de frutas está relacionado à logística, o que dificulta a comercialização”, segundo a publicação.  

Campanhas para recuperar o consumo

Quanto à demanda, impossível não abordar o desafio lidar com um consumidor que ingere cada vez menos frutas e hortaliças. Mesmo com o apelo do saudável, o setor considera vital recuperar o consumo, que está em queda na última década, posicionando as frutas e hortaliças como protagonistas da alimentação do brasileiro.

“Durante a campanha “Frutas e Hortaliças: Por que comer mais?”, vários especialistas (sejam nutricionistas ou do setor produtivo) foram contatados, e houve um senso comum: precisamos incentivar as crianças!”, lembrou Letícia Barony, assessora técnica da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA).

Já na opinião de Lígia Falanghe Carvalho, da Jaguacy Brasil e integrantes da Associação “Abacates do Brasil” a cadeia produtiva precisa pensa na rentabilidade associada a necessidade dos consumidores.

“A Associação ‘Abacates do Brasil’ tem como missão rentabilizar a cadeia produtiva da fruta do Brasil, e não tem como falar nisso sem pensar no consumidor. Então, criamos a marca ‘Amo abacate’, com a ideia de aproximar o consumidor ao produtor”, recorda.

A revista ainda apresenta outras necessidades indicadas pelos entrevistados para os próximos 20 anos como a produção cada vez mais sustentável e segura ao consumidor e o fortalecimento das redes de pesquisas.

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