Especialistas avaliam desafios do Plano Safra 22/23

Discussão foi promovida pela CNA e abordou impactos do crédito do agro

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Crédito da imagem: banco Getty Images.

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13deJulhode2022ás11:33

Coordenada pela Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) uma live transmitida ontem (dia 12), no canal do youtube da entidade, reuniu especialistas do agro para analisar os desafios de elaboração do Plano Safra 2022/2023, bem como possíveis impactos para o setor. 

Anunciado pelo governo federal no último dia 29, o atual Plano Safra destina aos produtores e agricultores R$ 340,88 bilhões em recursos para custeio, investimento e comercialização, com taxas de juros abaixo da Selic (de 13,5%).

As medidas começaram a valer em 1º de julho, início da safra 2022/2023.

“Tivemos um bom plano safra e atendemos de modo bastante satisfatório os segmentos que requerem um apoio mais forte do governo federal e não desassistindo, em termos de disponibilidade de recurso de financiamento, as demais categorias produtoras", avaliou Wilson Vaz Araújo.

Araújo, que é diretor de Política de Financiamento ao Setor Agropecuário do Ministério de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) disse considerar o plano apresentador como  “um dos melhores elaborados até hoje, especialmente diante da conjuntura e perspectivas da economia brasileira.” 

“Tivemos recursos remanescentes da safra 2021/2022 que foram canalizados para essa safra 2022/2023 e isso nos permitiu trabalhar com as prioridades que não poderiam sofrer retração como o Pronaf, seguido do médio produtor rural e dos programas de investimentos para construção de armazéns, agricultura de baixo carbono e irrigação.”, explicou. 

Taxas de juros abaixo da Selic

O debate reuniu ainda o secretário de Política Agrícola do Mapa, Guilherme Bastos, e o chefe da Assessoria Especial de Estudos Econômicos do Ministério da Economia, Rogério Boueri.

Este último explicou as preocupações do governo em aumentar o volume de crédito, sem que as elevações das taxas de juros afetassem sua utilização.

“Precisamos aumentar o volume de crédito disponibilizado e isso foi feito ajustando as taxas de juros e todas estão abaixo da Selic. Além disso, tivemos muitas instituições financeiras fazendo ofertas para operar o crédito rural e isso fez com que o spread bancário fosse reduzido em média um ponto percentual."

Para Boueri, a elaboração deste Plano Safra foi diferente justamente pelas restrições de recursos de equalização e a alta da taxa Selic, como consequência da crise ecnomica mundial agravada pelo conflito na Europa.

Na avaliação da assessora técnica da CNA, Mariza de Almeida, que moderou o debate, o Plano Safra atendeu as demandas do setor, tanto em volume de recursos quanto nas taxas de juros.

“O crédito rural e o seguro rural são ferramentas de extrema importância para o produtor continuar produzindo e assim a gente conseguir assegurar a segurança alimentar e nutricional tanto dos brasileiros quanto da população mundial". 

Suplementação aprovada

Também ontem, o Senado aprovou a suplementação de recursos para equalização das taxas de juros dos financiamentos rurais do Plano Safra 2022/2023.

A medida era prevista no Projeto de Lei do Congresso Nacional (PLN) n. 18/2022 e prevê a liberação de R$ 1,2 bilhões para subvenções utilizadas no Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf), no custeio agropecuário, na comercialização de produtos e no investimento rural e agroindustrial.

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