Cenário global reverte baixa no mercado doméstico de trigo
No entanto, cotação do cereal acumula desvalorização de 23% nos últimos 60 dias
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Nos últimos 60 dias, o valor do cereal teve uma desvalorização de 23% no mercado doméstico. (foto - CNA)
Os preços do trigo seguiram em queda no Brasil durante a semana passada, influenciados por expectativas de produção recorde no País e pelo início da entrada da safra 2022/23, sobretudo no Paraná e em São Paulo.
Até sexta-feira (dia 23), as cotações do trigo haviam recuado 8,87% no mês até chegar a R$ 1.693,94 por tonelada. A explicação é que triticultores do Rio Grande do Sul também aguardam por safra volumosa, diante do clima favorável às lavouras.
Contudo, o aumento das tensões no Mar Negro, que envolve grandes produtores como Rússia e Ucrânia, elevou os preços internacionais e reverteu este movimento no mercado interno.
Outros fatores também impactaram como estimativas indicando transações internacionais recordes e déficit hídrico em parte das lavouras de trigo da Argentina e do Sul das Planícies dos Estados Unidos impulsionaram os valores externos do cereal.
Assim, os preços do trigo tiveram uma leve recuperação no mercado doméstico, de 0,55%, para fechar em R$ 1.703,20 ontem, segunda-feira (dia 26). Nos últimos 60 dias, o valor caiu de R$ 2.206,87, uma desvalorização de 23%.
Mercado internacional de trigo
Os contratos futuros do trigo na Bolsa de Mercadorias de Chicago (CBOT) registram preços acentuadamente mais altos antes do intervalo. O cereal busca recuperação frente às perdas das duas últimas sessões.
Segundo a Reuters, o mercado é sustentado pela preocupação com suprimentos russos, pois alguns agricultores estão sendo chamados para o exército. A alta do petróleo e a baixa do dólar frente a outras moedas completam o quadro altista.
Os investidores também digerem as condições das lavouras norte-americanas, divulgadas no final da tarde de ontem. O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) divulgou relatório sobre a evolução da colheita das lavouras de trigo primavera. Até 25 de setembro, a colheita estava apontada em 96%. O mercado esperava 97%. Na semana passada, eram 94%.
Em igual período do ano passado, o número estava em 100% e a média dos últimos cinco anos é de 97%. Sobre a evolução do plantio das lavouras de trigo de inverno, a semeadura estava apontada em 31%. O mercado esperava 33%. Na semana passada, eram 21%. Em igual período do ano passado, o número estava em 32% e a média dos últimos cinco anos é de 30%.
No intervalo, contratos com entrega em dezembro de 2022 eram cotados a US$ 8,77 1/2 por bushel, alta de 19,50 centavos de dólar, ou 2,27%, em relação ao fechamento anterior. Os contratos com entrega em março de 2023 operavam a US$ 8,90 1/2 por bushel, avanço de 19,25 centavos, ou 2,20% em relação ao fechamento anterior.