ABPA e Abiec destacam potencial da exportação de carnes à Europa
Declaração ocorreu durante SIAL Paris 2022, uma das maiores feiras de bebidas e alimentos do mundo
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Maior comprador do Brasil na Europa é a Holanda. (foto - divulgação ApexBrasil)
O potencial do Brasil para aumentar a produção de carne e frango, de forma sustentável, e suprir a demanda europeia foi defendido por representantes do setor durante debate na SIAL Paris 2022, maior feira de bebidas e alimentos da Europa.
O presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), Ricardo Santin, por exemplo, lembrou que o Brasil atende hoje 4% do consumo de proteína animal da Europa, número que é limitado por “acordos internacionais”.
De acordo com Santin, o volume exportado é muito menor do que a capacidade de exportação do país.
“O Brasil é atualmente o maior exportador mundial de frango, exportando mais de 4 milhões de toneladas para todos os continentes do planeta. Ainda assim, isso equivale a apenas 25% da produção nacional.”
O debate na SIAL Paris 2022 foi realizado pela Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil) e contou também com a participação da diretora técnica da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne (ABIEC), Cinthia Torres.
Extensão de pastagens e investimentos em tecnologias
Ambos destacaram durante o evento a enorme extensão de pastagens brasileiras e a tecnologia de controle genético para reduzir o ciclo de vida do animal até o abate como soluções para expandir a produção para comércio exterior.
A dupla enalteceu ainda a “a alta qualidade da proteína nacional a um baixo custo e impacto ambiental” que é um comportamento alinhado à tendência mundial de buscar uma produção sustentável.
“Os Estados Unidos, por exemplo, são nosso grande parceiro, porque eles enxergam esta relação de ganha-ganha entre os países ao importar nossos produtos. Eles precisam de uma carne bem alimentada, com garantia de segurança alimentar, mais natural”, afirma Cinthia Torres.
Segundo ela, o tamanho da área brasileira e a quantidade de recursos naturais que o país oferece – como 14% da água natural do mundo no Brasil, 28% das florestas – permite alimentar 155 nações a um preço acessível, com a garantia de um alimento seguro.
Já Santin reforçou que o Brasil exporta mais de 300 mil toneladas de frango todo ano e lembrou que “as empresas brasileiras têm todo o controle da produção, que é completamente rastreada”.
Ele ainda falou da cadeia da criação de frangos, que mobiliza 100 mil famílias e 4 milhões de pessoas que trabalham no campo, e disse que “não deveria haver fronteiras e barreiras para alimentos”, defendendo o livre comércio.
Vale lembrar que, para que o Brasil possa expandir as exportações para a Europa, é necessária a retomada do acordo de livre comércio Mercosul-União Europeia, uma vez que o bloco europeu busca diversificação de seus fornecedores.
Segundo a Apex, a entrada em vigor do acordo -- que foi selado, mas ainda está em fase de revisão jurídica -- é importante para a competitividade das exportações brasileiras e uma excelente oportunidade para expandir a presença do Brasil no continente.
Exportações em 2021
Apex-Brasil lembra que cerca de 17% do que o Brasil exportou em 2021 teve como destino países da Europa, representando US$ 48,2 bilhões vendidos para aquele continente.
O valor é 29,4% maior do que o registrado em 2020.
No acumulado entre janeiro e agosto de 2022, as exportações somaram US$ 42,3 bilhões, 28,9% a mais do que no ano passado.
A balança comercial com a Europa, no entanto, é deficitária para o Brasil, com importações batendo a cifra de US$ 51,4 bilhões em 2021, 30,9% a mais do que o registrado em 2020.
Atualmente, o maior comprador do Brasil na Europa é a Holanda, dona de 19% do total vendido pelos brasileiros, a maior parte em soja.
Espanha, Alemanha e Itália também são grandes compradores do Brasil, reunindo, entre eles, 29% do total exportado para a região.