A Índia pode ser uma “nova China” no comércio agrícola global?
País multiplicou por 50 as exportações e por 136 as importações agrícolas desde 1990

A Índia deverá ultrapassar a China como país mais populoso do mundo já em 2023. (foto - ilustração)
A Índia avança rapidamente para tornar-se uma espécie de “nova China” no comércio mundial de produtos agropecuários. A comparação é possível pois os indianos têm uma enorme população, ritmo de crescimento e demandas em comum com os vizinhos chineses, até então, maior “novidade” econômica das últimas décadas.
Segundo as projeções da ONU, a Índia deverá ultrapassar a China como país mais populoso do mundo já em 2023. Com 1,4 bilhão de habitantes, o território indiano deverá assistir nas próximas décadas a uma explosão da população urbana em megacidades já superlotadas e com fortes deficiências nas infraestruturas básicas.
Esse processo ocorreu também na China, o que fomentou o crescimento econômico na casa dos dois dígitos de forma ininterrupta por mais de duas décadas no país comunista. O estado indiano já experimenta algo parecido e, assim, a demanda por produtos de outros países também cresce rapidamente.

Desde 1990, o país multiplicou por 50 as exportações e por 136 as importações de produtos agropecuários.
No que diz respeito à importação de commodities agrícolas, os óleos vegetais foi o principal produto individual, com participação de 52% no total de importações agrícolas em 2021.
As frutas frescas constituem o segundo maior item de importação na agricultura com cerca de 10% da pauta, seguindo-se as leguminosas (7,6 por cento), as especiarias (5,1 por por cento) e caju (4,7 por cento) no ano passado.
Entre as principais commodities importadas, é notável que o país importou 90,8% mais açúcar em 2020-21, 19,8% mais óleos vegetais e 16,8% mais leguminosas, enquanto as importações de algodão diminuíram 69,4% durante o mesmo período.
A Indonésia emergiu como o maior exportador agrícola para a Índia, com 17,9% de participação, seguida pela Malásia (11,3 por cento), Argentina (10,4 por cento), Ucrânia (7,6 por cento) e EUA (7,3 por cento). Esses cinco principais países juntos representaram 54,5% do total de importações agrícolas da Índia no ano passado.
Relação Brasil – Índia
O comércio bilateral entre Brasil e Índia acompanha o crescimento da economia indiana e também a brasileira, mas ainda há muito espaço para crescimento.
Desde os anos 1990, a corrente de comércio entre os dois países cresceu quase 24 vezes, de cerca de US$ 500 milhões para algo próximo a US$ 12 bilhões. Na comparação com a China, por exemplo, que comercializou com o Brasil US$ 135 bilhões em 2021, o número pode crescer bastante.
Atualmente, o agronegócio brasileiro tem os óleos vegetais (38%), açúcares e melaços (3,4%) e algodão (1,3%) entre os principais produtos da pauta de exportação à Índia. E os esforços para ampliar tais resultados já estão em curso.

Em maio deste ano, autoridades de primeiro escalão e empresários do agronegócio do Brasil e da Índia reuniram-se, em Brasília, para tratar de temas de interesse comum como comércio de produtos e insumos agropecuários.
Na ocasião, o embaixador Suresh Reddy afirmou que a Índia e o Brasil, como duas potências agropecuárias, precisam cooperar cada vez mais para superar os desafios das mudanças climáticas e da segurança alimentar do mundo.
Segundo o embaixador, as exportações do agro brasileiro para a Índia aumentaram no último ano, mas há potencial para expandir as vendas externas. “O Brasil precisa olhar para o mercado indiano. Existem muitos produtos que podem ser exportados”.
