Cafeicultores de MG pedem ajuda do Governo para recuperar produção

    Segundo Cooxupé, ao menos 230 mil sacas foram perdidas após chuvas de granizo

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    Levantamento da CNA estima que apenas 11% dos produtos estavam cobertos por seguro rural. (foto - Emater-MG)

    Levantamento da CNA estima que apenas 11% dos produtos estavam cobertos por seguro rural. (foto - Emater-MG)

    07deDezembrode2022ás12:17

    Segundo balanço da Cooperativa Regional de Cafeicultores em Guaxupé (Cooxupé), uma das maiores do setor cafeeiro, ao menos 230 mil sacas de café foram perdidas com as chuvas de granizo que atingiram lavouras em Minas Gerais nos últimos dois meses. 

    O levantamento aponta ainda que o clima afetou a produção de mais de 28 mil hectares de 2,7 mil produtores cooperados.

    Os números foram apresentados durante audiência da Comissão de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural da Câmara dos Deputados, realizada nesta terça-feira (dia 6), na qual os produtores solicitaram mais recursos para o setor e um seguro que seja efetivo, com participação do governo.

    Segundo o gerente de Desenvolvimento Técnico da cooperativa, Mário de Araújo, em algumas propriedades, efeito foi como se tivesse caído “uma bomba em cima das lavouras”.

    “O granizo repercute em toda a sociedade que gira ao redor do cafeicultor, especialmente no sul de Minas, onde há dependência dessa atividade econômica tão gratificante”, afirmou Araújo.

    “A atividade que mais distribui renda é a cafeicultura de montanha. Os nossos governos têm que ter uma sensibilidade muito grande em relação a isso”, completou.

    Vale lembrar que de acordo com levantamento da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural de Minas Gerais (Emater-MG), as chuvas de granizo registradas em Minas Gerais, atingiram 51,2 mil hectares de lavouras no Estado e 7,4 mil produtores.  

    Aumento do Teto

    O deputado Emidinho Madeira (PL-MG), que sugeriu o debate, anunciou que já tem reuniões agendadas para tratar do assunto no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) e no Banco do Brasil.

    “O café não para. Daqui a uns dias, a chuva vai embora, e é o momento da adubação: novembro, dezembro e janeiro. Nós precisamos que os bancos busquem uma gordura a mais no Ministério da Economia, precisamos de mais recursos”, defendeu o parlamentar.

    “Também a questão do Pronaf [Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar]: precisa aumentar o teto de R$ 200 mil para R$ 300 mil para o pequeno produtor. Com R$ 200 mil hoje você não compra um tratorzinho cafeeiro.”

    Seguro rural

    Segundo a assessora da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Minas Gerais (Faemg), Ana Carolina Gomes, com base em dados levantados pela Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil, apenas 11% dos produtos estavam cobertos por seguro rural.

    O número vem de uma pesquisa feita com 1,4 mil produtores rurais, logo após a ocorrência das chuvas de granizo. O levantamento constatou também que 62% foram atingidos pelos temporais, acarretando um prejuízo estimado de R$ 47 milhões.

    Da parte do governo federal, o diretor de Comercialização e Abastecimento do Ministério da Agricultura, Silvio Farnese, disse que há R$ 6 bilhões disponíveis para o setor, dos quais 80% já estão nas mãos dos produtores.

    Ele lembrou ainda que, neste ano, são R$ 160 milhões para recuperação de cafezais danificados por intempéries. Ele citou ainda o seguro para o café, com subsídio de 40%.

    Já o subsecretário de Política e Economia Agropecuária de Minas Gerais, João Ricardo Albanez, disse que o estado está reativando o programa Minas + Seguro, de subvenção econômica para o seguro rural. “Poderemos ampliar o aporte de recurso, complementando o programa de subvenção federal. A expectativa é [o estado] contribuir com 20% do prêmio do seguro”, informou.

    Já o presidente da Comissão Nacional do Café da CNA, José Edgard Pinto Paiva, falou sobre os desafios vivenciados pela cafeicultura brasileira desde 2020 com secas, geadas e chuvas de granizo.

    “É importante que as lideranças do setor se mobilizem politicamente para disponibilizar recursos ao produtor em tempo, volume e juros acessíveis e também para aprimorar os produtos de seguro rural disponíveis para a cafeicultura ganhando escala e tornando a contratação mais acessível ao produtor”, enfatizou.

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