Colheita de trigo avançada pressiona preços para baixo no mercado interno
Analistas, no entanto, apontam que queda poderá ser revertida
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Maior disponibilidade de trigo no mercado interno descola o movimento das cotações no Brasil em relação ao resto do mundo. (foto - CNA)
A já confirmada safra recorde de trigo pressiona os preços para baixo no Brasil, apesar das ameaças à oferta global do cereal, especialmente, na Argentina e no Mar Negro.
Segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a colheita de trigo da safra 2022 no Brasil atingiu 99,4% da área com dados coletados até 17 de dezembro e deve chegar a 9,5 milhões de toneladas.
Assim, a maior disponibilidade de trigo no mercado interno descola o movimento das cotações no Brasil em relação ao resto do mundo nas últimas semanas, mesmo que em intensidade pequena.
Os preços da tonelada de trigo acumulam baixa de 2,36% em dezembro e oscila a R$ 1754,74, segundo o indicador do Cepea no Paraná. Ao longo do ano, no início do conflito entre Rússia e Ucrânia e outras indefinições em países produtores, o valor chegou a superar os R$ 2200.
| Data | Preço R$ | Coluna3 |
| 07/11/2022 | 1849,93 | 358,86 |
| 14/11/2022 | 1832,56 | 343,75 |
| 21/11/2022 | 1839,27 | 346,31 |
| 28/11/2022 | 1804,48 | 336,28 |
| 05/12/2022 | 1811,59 | 343,1 |
| 12/12/2022 | 1786,58 | 335,51 |
| 19/12/2022 | 1754,74 | 330,58 |
Ainda assim, agentes de mercado consultados pelo Cepea acreditam que o atual movimento de queda nos preços pode se enfraquecer ou até mesmo ser revertido, fundamentados na expressiva redução na produção da Argentina.
Trigo em Chicago hoje
Os contratos do trigo operam com preços próximos à estabilidade nas negociações da sessão eletrônica de hoje (dia 20) da Bolsa de Mercadorias de Chicago (CBOT). Mais cedo, o mercado chegou a registrar ganhos, subindo pela primeira vez em três sessões. Mas não se sustentou e já flerta com o território negativo.
A situação na região do Mar Negro segue no radar dos investidores. Os contratos com vencimento em março de 2023 operam cotados a US$ 7,49 por bushel, alta de 0,50 centavo de dólar por bushel ou 0,06% em relação ao fechamento anterior.
Ontem, o mercado chegou a começar o dia em alta, mas não se sustentou e passou a cair, ainda na manhã, pressionado pelos temores de recessão da economia global. A fraca demanda pelo grão dos EUA segue como fator baixista.
A retração foi limitada pela previsão de clima frio nas planícies estadunidenses, que pode trazer perdas às lavouras. No fechamento, os contratos com entrega em março de 2023 eram cotados a US$ 7,48 1/2 por bushel, baixa de 5,00 centavos de dólar, ou 0,66%, em relação ao fechamento anterior.
Os contratos com entrega em maio de 2023 eram negociados a US$ 7,56 3/4 por bushel, recuo de 4,25 centavos, ou 0,55%, em relação ao fechamento anterior.